CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Paciente jovem, homem, com queixa de metamorfopsia e micropsia no olho esquerdo e diminuição da visão que chega ao normal acrescentando-se + 1,50 D esféricas à sua refração. Esperamos encontrar no fundo de olho mais provavelmente:
Homem jovem + estresse + micropsia/metamorfopsia = Coriorretinopatia Serosa Central.
O acúmulo de fluido sub-retiniano na mácula causa um descolamento seroso que altera a refração (hipermetropização) e distorce a percepção visual.
A Coriorretinopatia Serosa Central (CSC) é caracterizada por um descolamento seroso localizado da retina neurossensorial na região macular, decorrente de hiperpermeabilidade da coriocapilar e disfunção do epitélio pigmentar da retina. O diagnóstico é clínico, reforçado pela metamorfopsia (visão distorcida) e confirmado pelo OCT, que demonstra o fluido sub-retiniano. É uma causa importante de baixa visual súbita em pacientes jovens e deve ser diferenciada de outras maculopatias exsudativas.
A micropsia (percepção de que os objetos são menores do que realmente são) ocorre devido ao descolamento seroso da retina neurossensorial. O fluido sub-retiniano afasta os fotorreceptores uns dos outros. Quando a imagem é projetada nessa retina 'esticada', ela estimula menos fotorreceptores do que o normal para aquele tamanho de objeto, e o cérebro interpreta essa menor densidade de estimulação como um objeto de tamanho reduzido.
O acúmulo de fluido sob a mácula desloca a retina neurossensorial anteriormente (em direção ao cristalino). Esse deslocamento físico encurta o comprimento focal efetivo do olho, criando um estado de hipermetropia funcional ou transitória. Por isso, uma lente convergente (positiva) ajuda a focar a imagem exatamente sobre a retina deslocada, melhorando a acuidade visual temporariamente.
O perfil clássico é de homens jovens ou de meia-idade (20-50 anos), frequentemente com personalidade do 'tipo A' (estressados, competitivos) ou em uso de corticosteroides. Na maioria dos casos (80-90%), a condição é autolimitada, com resolução espontânea do fluido em 3 a 4 meses, embora recorrências sejam comuns e casos crônicos possam exigir tratamento com laser ou terapia fotodinâmica.
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