Coriorretinopatia Central Serosa: Relação com a Gestação

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Qual das condições abaixo está mais provavelmente relacionada ao risco aumentado de desenvolvimento de coriorretinopatia central serosa?

Alternativas

  1. A) Uso de eplerenona
  2. B) Gestação
  3. C) Uso de espironolactona.
  4. D) Insuficiência adrenal.

Pérola Clínica

Gestação/Corticoides/Estresse → Coriorretinopatia Central Serosa.

Resumo-Chave

A coriorretinopatia central serosa (CSCR) é uma condição idiopática associada a estados de hipercortisolismo, como a gestação, resultando em descolamento seroso da retina sensorial.

Contexto Educacional

A coriorretinopatia central serosa (CSCR) afeta tipicamente adultos jovens e de meia-idade, com predileção pelo sexo masculino. A fisiopatologia central envolve a coroide, que se torna espessa e hiperpermeável (paquicoroide). O diagnóstico é auxiliado pela Tomografia de Coerência Óptica (OCT), que demonstra claramente o fluido sub-retiniano, e pela angiofluoresceinografia, que pode mostrar o clássico padrão em 'fumaça de chaminé'. O manejo inicial na maioria dos casos é a observação, já que a resolução espontânea ocorre em 80-90% dos pacientes em 3 a 4 meses. A interrupção de qualquer uso de corticoide é fundamental. Em casos crônicos ou recorrentes, opções como a terapia fotodinâmica (PDT) com verteporfina ou laser de sublimiar podem ser indicadas. O uso de antagonistas dos receptores mineralocorticoides (como eplerenona ou espironolactona) tem sido estudado como tratamento sistêmico devido ao papel da via mineralocorticoide na permeabilidade da coroide.

Perguntas Frequentes

O que é a coriorretinopatia central serosa (CSCR)?

A coriorretinopatia central serosa é uma doença ocular caracterizada pelo acúmulo de fluido sub-retiniano na região macular, levando a um descolamento seroso da retina sensorial. Clinicamente, o paciente apresenta queixa de visão borrada, escotoma central, metamorfopsia (visão distorcida) e micropsia (objetos parecem menores). Embora a causa exata seja desconhecida, acredita-se que ocorra uma hiperpermeabilidade dos vasos da coroide associada a uma disfunção do epitélio pigmentado da retina (EPR), permitindo a passagem de líquido para o espaço sub-retiniano.

Por que a gestação aumenta o risco de CSCR?

A gestação é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de coriorretinopatia central serosa, ocorrendo mais frequentemente no terceiro trimestre. Acredita-se que isso se deva aos níveis elevados de cortisol endógeno e outras alterações hormonais e hemodinâmicas sistêmicas que ocorrem durante o período gestacional. O cortisol aumenta a fragilidade capilar e a permeabilidade da coroide. Na maioria dos casos associados à gravidez, a condição é autolimitada, com resolução espontânea do fluido sub-retiniano e melhora da acuidade visual após o parto.

Quais são os outros principais fatores de risco para CSCR?

Além da gestação, o uso de corticosteroides (em qualquer via: oral, tópica, inalatória ou injetável) é o fator de risco mais fortemente associado à CSCR. Outros fatores incluem o estresse psicológico crônico, personalidade do tipo A (competitiva e ansiosa), hipertensão arterial, apneia do sono e uso de estimulantes adrenérgicos. Curiosamente, condições que reduzem o cortisol, como a insuficiência adrenal (Doença de Addison), não estão associadas à CSCR; pelo contrário, o tratamento de reposição com corticoides nessas condições é que pode desencadear a doença.

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