Gestação Gemelar: Corionicidade e Complicações Fetais

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Em relação à gestação gemelar, considere as afirmativas a seguir.I. A sequência anemia-policitemia (TAPS) é uma complicação de início precoce na gestação de gêmeos dicoriônicos.II. As complicações precoces de gêmeos dicoriônicos são causadas por anastomoses vasculares na placenta.III. O peso fetal discordante superior a 25% é um preditor independente de mau resultado da gravidez em gêmeos dicoriônicos.IV. Os riscos de complicações são determinados pela corionicidade.Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Pérola Clínica

Corionicidade determina riscos em gestação gemelar; TAPS e STFF são de monocoriônicos. Discordância de peso >25% é mau prognóstico em qualquer gemelar.

Resumo-Chave

A corionicidade é o fator mais importante na determinação dos riscos e complicações em gestações gemelares. Gestações monocoriônicas, por compartilharem a mesma placenta e possuírem anastomoses vasculares, apresentam riscos únicos como a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) e a Sequência Anemia-Policitemia (TAPS). A discordância de peso fetal, quando significativa (>25%), é um marcador de mau prognóstico, independentemente da corionicidade, mas mais comum e grave em monocoriônicas.

Contexto Educacional

A gestação gemelar é considerada de alto risco e sua morbimortalidade está diretamente relacionada à corionicidade. A determinação da corionicidade no primeiro trimestre é fundamental para o manejo pré-natal, pois define os riscos e o protocolo de acompanhamento. Gestações dicoriônicas (duas placentas) têm riscos menores de complicações específicas de anastomoses vasculares, enquanto as monocoriônicas (uma placenta) são mais propensas a condições como a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) e a Sequência Anemia-Policitemia (TAPS). A STFF e a TAPS são complicações graves e exclusivas de gestações monocoriônicas, resultantes de anastomoses vasculares na placenta compartilhada. A STFF envolve uma transfusão desequilibrada de sangue, levando a um feto doador (hipovolêmico, oligoidrâmnio) e um feto receptor (hipervolêmico, polidrâmnio). A TAPS, por sua vez, é caracterizada por uma transfusão mais lenta, resultando em anemia e policitemia sem grandes alterações de volume de líquido amniótico. Além disso, a discordância de peso fetal é um marcador importante de risco em qualquer gestação gemelar. Uma diferença de peso estimada superior a 20-25% entre os fetos é associada a piores resultados perinatais e exige investigação para causas como restrição de crescimento seletiva. O conhecimento aprofundado dessas particularidades é essencial para o residente de ginecologia e obstetrícia, garantindo um acompanhamento adequado e a intervenção oportuna.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre gestação gemelar monocoriônica e dicoriônica em termos de riscos?

A principal diferença reside na placenta. Gestações monocoriônicas compartilham uma única placenta, o que as predispõe a complicações únicas como a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) e a Sequência Anemia-Policitemia (TAPS) devido às anastomoses vasculares. Gestações dicoriônicas possuem placentas separadas e, embora tenham riscos maiores que gestações únicas, não apresentam essas complicações específicas de anastomoses.

O que é a Sequência Anemia-Policitemia (TAPS) e em qual tipo de gestação gemelar ela ocorre?

A Sequência Anemia-Policitemia (TAPS) é uma complicação de gestações monocoriônicas, caracterizada por uma transfusão crônica lenta de sangue entre os fetos através de pequenas anastomoses arterio-venosas. Isso resulta em um feto anêmico e outro policitêmico, com diferentes graus de gravidade e sem as alterações de volume de líquido amniótico típicas da STFF.

Qual a importância da discordância de peso fetal na gestação gemelar?

A discordância de peso fetal, especialmente quando superior a 20-25%, é um preditor independente de mau resultado perinatal em gestações gemelares, tanto monocoriônicas quanto dicoriônicas. Ela pode indicar restrição de crescimento intrauterino seletiva ou outras complicações, exigindo monitoramento rigoroso e, por vezes, intervenção.

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