SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
A gemelidade tem uma importância fundamental, pois eleva a taxa de morbidade materna e morbidade e mortalidade fetal. A respeito da gestação gemelar, assinale a alternativa correta:
Corionicidade deve ser definida no 1º trimestre (6-10 sem) via USG; Lâmbda = Dicoriônica, T = Monocoriônica.
A determinação precoce da corionicidade é o fator prognóstico mais importante na gestação gemelar, pois define o risco de complicações específicas como a STFF.
A gestação gemelar é considerada uma gravidez de alto risco devido ao aumento significativo de complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e hemorragia pós-parto. A fisiopatologia das complicações fetais está intrinsecamente ligada à arquitetura placentária. Nas gestações dicoriônicas, cada feto possui seu próprio sistema de suporte, enquanto nas monocoriônicas, a presença de comunicações vasculares (anastomoses) cria um ambiente de interdependência hemodinâmica. O diagnóstico ultrassonográfico precoce, idealmente realizado no primeiro trimestre, é crucial. Além da corionicidade, o ultrassom avalia a translucência nucal e outros marcadores de aneuploidias. O manejo clínico moderno foca na detecção precoce de desequilíbrios de fluxo sanguíneo na placenta compartilhada, utilizando o estadiamento de Quintero para STFF, o que permite intervenções terapêuticas como a fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias.
O sinal do lâmbda (ou sinal do Twin-peak) é caracterizado por uma projeção triangular de tecido placentário que se estende entre as duas camadas da membrana intergemelar, indicando uma gestação dicoriônica e diamniótica. Já o sinal do T ocorre quando a membrana intergemelar fina se insere perpendicularmente na placenta sem interposição de tecido placentário, sendo patognomônico de gestações monocoriônicas e diamnióticas. Identificar esses sinais entre a 11ª e 14ª semana de gestação é o padrão-ouro para determinar a corionicidade.
A corionicidade, e não a zigocidade, determina o risco de complicações fetais. Gestações monocoriônicas compartilham a mesma placenta e possuem anastomoses vasculares, o que as predispõe a complicações graves como a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF), Restrição de Crescimento Fetal Seletiva (RCFs) e a sequência de anemia-policitemia gemelar (TAPS). O acompanhamento ultrassonográfico em gestações monocoriônicas deve ser muito mais frequente (quinzenal a partir da 16ª semana) do que em gestações dicoriônicas.
Uma gestação monocoriônica e monoamniótica ocorre quando a divisão do ovo acontece tardiamente, entre o 8º e o 13º dia após a fertilização. Nesses casos, os fetos compartilham a mesma placenta e o mesmo saco amniótico, sem membrana divisória entre eles. É a forma mais rara e perigosa de gemelaridade, com alto risco de emaranhamento de cordões umbilicais e morte fetal súbita, exigindo monitoramento intensivo e parto antecipado, geralmente por cesariana entre 32 e 34 semanas.
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