Coriocarcinoma Ovariano: Diagnóstico e Abordagem Cirúrgica

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 27 anos relata aumento de volume abdominal há 02 meses, com sensação de peso em hipogástrio. Informa ser nuligesta. Realizou exames: 1. ultrassonografia transvaginal com lesão anexial direita sólida heterogênea, medindo 16,7cm x 12,3cm x 5,6cm; 2.CA-125: 180U/mL; 3. CEA: 2,4μg/L; 4. alfafetoproteína: 2,7 μg/L; 5. Beta-HCG: 3.452UI/L. Levando em consideração a necessidade de tratamento cirúrgico, escolha a alternativa CORRETA que relaciona a hipótese diagnóstica e a cirurgia adequada:

Alternativas

  1. A) Indicar laparotomia exploradora com exame histopatológico de congelação, pela suspeita de cistoadenocarcinoma mucinoso.
  2. B) Indicar ooforectomia direita e aguardar exame histopatológico em parafina, por provável teratoma maduro.
  3. C) Indicar laparotomia exploradora com exame histopatológico de congelação, por provável coriocarcinoma.
  4. D) Indicar ooforectomia direita e aguardar exame histopatológico em parafina, por provável endometrioma ovariano.
  5. E) Indicar laparotomia exploradora com exame histopatológico de congelação, por provável cistoadenocarcinoma seroso.

Pérola Clínica

Massa anexial sólida + Beta-HCG muito elevado em mulher jovem → suspeitar de coriocarcinoma ovariano.

Resumo-Chave

A presença de uma massa anexial sólida e heterogênea em uma mulher jovem, associada a um Beta-HCG marcadamente elevado, é altamente sugestiva de coriocarcinoma ovariano, um tumor de células germinativas. A conduta cirúrgica deve ser laparotomia exploradora com congelação para estadiamento e planejamento terapêutico.

Contexto Educacional

Tumores anexiais em mulheres jovens representam um desafio diagnóstico, com um amplo espectro de etiologias, desde cistos funcionais benignos até neoplasias malignas. A avaliação deve incluir exames de imagem e marcadores tumorais para diferenciar as diversas possibilidades. A presença de uma massa anexial sólida e heterogênea, como descrito no caso, levanta a suspeita de malignidade, especialmente em tumores de células germinativas. Neste cenário, a elevação do Beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana) é um achado crítico. Embora o CA-125 possa estar elevado em diversas condições, um Beta-HCG marcadamente alto em uma mulher não grávida com massa anexial sólida é altamente sugestivo de coriocarcinoma ovariano, um subtipo agressivo de tumor de células germinativas. Outros tumores de células germinativas podem elevar alfafetoproteína ou DHL. A conduta para tumores ovarianos malignos ou suspeitos em mulheres jovens geralmente envolve laparotomia exploradora com exame histopatológico de congelação. Este procedimento permite um diagnóstico intraoperatório rápido, essencial para determinar a extensão da cirurgia (que pode ser conservadora para preservar a fertilidade, se possível, ou mais radical) e o estadiamento completo da doença. O tratamento subsequente frequentemente inclui quimioterapia, dada a sensibilidade desses tumores a agentes quimioterápicos.

Perguntas Frequentes

Quais marcadores tumorais são importantes em massa anexial em mulheres jovens?

Além do CA-125, marcadores como Beta-HCG (para coriocarcinoma, teratoma), alfafetoproteína (para tumor do saco vitelino, teratoma imaturo) e DHL (para disgerminoma) são cruciais para tumores de células germinativas.

Por que a laparotomia exploradora com congelação é indicada para coriocarcinoma ovariano?

A laparotomia exploradora permite estadiamento completo, avaliação da extensão da doença e coleta de material para exame de congelação, que é essencial para o diagnóstico intraoperatório e para guiar a extensão da cirurgia, que pode ser conservadora ou radical.

Qual o prognóstico do coriocarcinoma ovariano?

O coriocarcinoma ovariano é um tumor agressivo, mas que pode ter boa resposta à quimioterapia, especialmente se diagnosticado e tratado precocemente. O prognóstico depende do estadiamento e da resposta ao tratamento.

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