Coriocarcinoma Gestacional: Diagnóstico e Manifestações

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma mulher de 35 anos de idade, multípara, com 60 dias pós-parto normal sem epsiotomia, foi admitida numa Emergência Obstétrica com queixa de sangramento vaginal persistente e intermitente desde o parto, com episódios de hemorragia intensa acompanhados de falta de ar. A paciente informa que seu bebê nasceu muito malformado e morreu após 48h de nascido. Ao exame físico, apresenta PA = 110 x 70 mmHg, descorada ++/4+ e abdome com tumoração pélvica em andar inferior. O exame especular demonstrou vagina com trofismo diminuído, colo aparentemente entreaberto, com sangramento moderado pelo orifício externo. Revelou ainda, presença de tumoração vinhosa de 3 cm de diâmetro em fundo de saco lateral esquerdo. Ao toque vaginal, a paciente apresentou colo entreaberto e útero aumentado de volume. A ausculta pulmonar mostrou redução do murmúrio em base esquerda, e uma radiografia do tórax indicou a presença de múltiplas imagens nodulares em pulmão direito. A hipótese diagnóstica mais provável para esse caso é:

Alternativas

  1. A) Mioma parido.
  2. B) Inversão uterina.
  3. C) Coriocarcinoma.
  4. D) Laceração de canal de parto.
  5. E) Carcinoma de células claras de vagina.

Pérola Clínica

Sangramento pós-parto + lesão vaginal vinhosa + nódulos pulmonares → Coriocarcinoma.

Resumo-Chave

O coriocarcinoma é uma neoplasia maligna do trofoblasto com alta propensão a metástases hematogênicas (pulmão e vagina), podendo ocorrer após qualquer evento gestacional.

Contexto Educacional

O coriocarcinoma gestacional é uma forma altamente maligna de neoplasia trofoblástica que se origina do epitélio trofoblástico (citotrofoblasto e sinciciotrofoblasto). Diferente da mola hidatiforme, ele não possui vilosidades coriônicas. Sua incidência é maior após gestações molares, mas cerca de 25% dos casos ocorrem após gestações a termo ou abortos. A apresentação clínica clássica envolve hemorragia uterina irregular e sinais de doença metastática. Fisiopatologicamente, o tumor invade o miométrio e vasos sanguíneos, levando a metástases sistêmicas precoces. O caso clínico descrito é emblemático: a presença de uma massa vaginal 'vinhosa' é patognomônica de metástase de NTG, e a dispneia com nódulos pulmonares confirma o estágio avançado. O diagnóstico precoce e o estadiamento correto são fundamentais para o sucesso terapêutico, que apresenta altas taxas de cura com protocolos quimioterápicos modernos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sítios de metástase do coriocarcinoma?

O coriocarcinoma apresenta uma disseminação hematogênica extremamente rápida e precoce. O sítio mais comum de metástase são os pulmões (frequentemente apresentando-se como múltiplos nódulos na radiografia de tórax, conhecidos como imagem em 'tempestade de neve' ou 'balões de ensaio'). O segundo sítio mais comum é a vagina, onde as lesões classicamente se apresentam como nódulos vinhosos ou purpúricos, altamente vascularizados e friáveis. Outros sítios incluem o cérebro e o fígado, que conferem um pior prognóstico à paciente.

Como é feito o diagnóstico diferencial de sangramento pós-parto persistente?

O sangramento persistente após o parto deve ser investigado para descartar restos placentários (mais comum), endometrite e subinvolução do sítio placentário. No entanto, quando acompanhado de sintomas sistêmicos (como dispneia) ou achados físicos anômalos (como tumorações vaginais), a Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) deve ser fortemente suspeitada. O diagnóstico é reforçado pela dosagem de beta-hCG, que se mantém elevado ou em ascensão fora do período esperado de clareamento pós-parto.

Qual o tratamento padrão para o coriocarcinoma?

O tratamento do coriocarcinoma é baseado em quimioterapia, sendo uma das neoplasias sólidas mais responsivas a esse tratamento, mesmo em estágios avançados. A escolha do esquema (monoquimioterapia com Metotrexato ou poliquimioterapia como o esquema EMA-CO) depende do escore de risco da FIGO, que avalia idade, gravidez antecedente, intervalo do evento, nível de hCG, tamanho do tumor, sítios de metástase e falha de quimioterapia prévia. A cirurgia é reservada para complicações hemorrágicas ou remoção de focos resistentes.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo