Corioamnionite: Diagnóstico e Manejo no Trabalho de Parto Prematuro

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 33 anos, G3P2C0A0, com idade gestacional de 33 semanas e 2 dias, comparece à emergência obstétrica com queixa de dor abdominal de moderada intensidade, leucorreia fétida e febre aferida hoje com temperatura axilar de 38ºC. Ao exame: altura uterina: 30cm; dinâmica uterina: 2 contrações fortes em 10 minutos, com duração de 70 segundos; pressão arterial: 130 x 80 mmHg; batimentos cardíacos fetais: 140 batimentos/minutos. Ao exame especular é observada saída de secreção purulenta pelo orifício do colo. Toque vaginal: dilatação de 5 cm, com colo fino, anterior. Cardiotocografia realizada mostrou padrão reativo, categoria 1. Qual deve ser a conduta?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia e assistência ao trabalho de parto, ao parto e ao puerpério.
  2. B) Internação, inibição de trabalho de parto e corticoterapia intravenosa materna.
  3. C) Resolução da gestação por via alta imediatamente, considerando a vitalidade fetal.
  4. D) Antibioticoterapia, inibição do trabalho de parto e início de corticoterapia materna.
  5. E) Internação, aceleração do trabalho de parto com misoprostol e corticoterapia para tratar o processo inflamatório materno.

Pérola Clínica

Febre + leucorreia fétida + dinâmica uterina + dilatação cervical em <34s → Corioamnionite e trabalho de parto.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre, leucorreia fétida, contrações uterinas e dilatação cervical em gestante pré-termo é altamente sugestivo de corioamnionite. Nesses casos, a interrupção da gestação é a conduta prioritária, associada à antibioticoterapia, independentemente da idade gestacional, para evitar complicações maternas e fetais.

Contexto Educacional

A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (âmnio e córion), líquido amniótico e, por vezes, da placenta e do feto. É uma complicação grave da gestação, mais comum em casos de ruptura prematura de membranas ou trabalho de parto prolongado, e está associada a morbidade e mortalidade materna e neonatal significativas. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna (≥ 38°C) e pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou leucorreia purulenta. No caso apresentado, a gestante com 33 semanas e 2 dias, febre, leucorreia fétida, dinâmica uterina e dilatação cervical preenche os critérios para corioamnionite e trabalho de parto prematuro. A conduta na corioamnionite é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, para controlar o foco infeccioso. A antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente ampicilina e gentamicina, ou clindamicina se cesariana) deve ser iniciada imediatamente. A tocolise e a corticoterapia para maturação pulmonar são contraindicadas. A via de parto vaginal é preferencial, se não houver contraindicações obstétricas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios incluem febre materna (≥38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou leucorreia purulenta.

Por que a inibição do trabalho de parto é contraindicada na corioamnionite?

A corioamnionite é uma infecção grave que exige a resolução da gestação para eliminar o foco infeccioso e prevenir sepse materna e fetal. A tocolise prolongaria a exposição à infecção, aumentando os riscos.

Qual a via de parto preferencial em casos de corioamnionite?

A via de parto preferencial é a vaginal, desde que não haja contraindicações obstétricas. A cesariana deve ser reservada para indicações obstétricas, pois aumenta o risco de morbidade infecciosa materna.

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