Corioamnionite: Diagnóstico e Conduta na RPMO

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 28 anos de idade, 34 semanas de gestação, perdendo líquido via vaginal há 2 semanas, queixa-se de febre e dor em baixo ventre há 24 horas. Ao exame físico: PA= 110/70 mmHg, febril (temperatura axilar= 39 ºC), frequência cardíaca materna de 112 bpm, conteúdo vaginal com odor fétido, dinâmica uterina ausente e colo impérvio. A cardiotocografia fetal é normal (categoria 1 ou tranquilizadora). Os exames da admissão da paciente mostravam proteína C reativa elevada e leucocitose com desvio para esquerda. Considerando o diagnóstico mais provável, a conduta correta dentre as alternativas abaixo é:

Alternativas

  1. A) iniciar indução do trabalho de parto com misoprostol e antibioticoterapia de amplo espectro.
  2. B) indicar cesariana imediatamente devido risco imediato de óbito fetal e iniciar ampicilina isolada.
  3. C) iniciar corticóide para maturação pulmonar fetal e iniciar ampicilina isolada.
  4. D) indicar cesariana imediatamente devido risco de óbito fetal e iniciar antibioticoterapia de amplo espectro.
  5. E) iniciar indução do trabalho de parto com misoprostol e iniciar ampicilina isolada.

Pérola Clínica

RPMO + febre materna, taquicardia, leucocitose e odor fétido vaginal → Corioamnionite = indução do parto + ATB amplo espectro.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de corioamnionite (febre, taquicardia materna, leucocitose com desvio, odor fétido vaginal) associada à rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO). Nesses casos, a prioridade é a interrupção da gestação para resolver a infecção, independentemente da idade gestacional. A indução do trabalho de parto é a via preferencial, acompanhada de antibioticoterapia de amplo espectro.

Contexto Educacional

A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (cório e âmnio) e do líquido amniótico, frequentemente associada à rotura prematura de membranas (RPMO). É uma complicação grave que pode levar a morbidade e mortalidade materna e fetal significativas, incluindo sepse materna, disfunção orgânica, parto prematuro, sepse neonatal e paralisia cerebral. Sua incidência varia, mas é mais comum em gestações com RPMO prolongada. O reconhecimento rápido e o manejo adequado são cruciais. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da vagina para o útero, especialmente após a rotura das membranas. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna e outros sinais de infecção, como taquicardia materna e/ou fetal, dor uterina e líquido amniótico fétido. Exames laboratoriais como leucocitose com desvio à esquerda e PCR elevada apoiam o diagnóstico. A cardiotocografia fetal, mesmo que tranquilizadora inicialmente, não exclui a necessidade de intervenção. A conduta na corioamnionite é a interrupção imediata da gestação, independentemente da idade gestacional, para controlar a infecção. A via de parto preferencial é a indução do trabalho de parto, geralmente com misoprostol ou ocitocina, pois a cesariana aumenta os riscos maternos em um ambiente infectado. A antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada prontamente, cobrindo os patógenos mais comuns (ex: GBS, E. coli, anaeróbios), e mantida até o puerpério. Corticoides para maturação pulmonar fetal não são indicados na presença de infecção ativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

O diagnóstico de corioamnionite clínica é feito pela presença de febre materna (≥ 38°C) e pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna (> 100 bpm), taquicardia fetal (> 160 bpm), dor uterina à palpação, conteúdo vaginal com odor fétido ou leucocitose materna com desvio à esquerda.

Qual a conduta inicial na corioamnionite em gestantes com RPMO?

A conduta inicial na corioamnionite é a interrupção da gestação, preferencialmente por indução do trabalho de parto, e o início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro. A via de parto deve ser obstétrica, sendo a cesariana reservada para indicações específicas não relacionadas à infecção em si.

Por que a indução do trabalho de parto é preferível à cesariana na corioamnionite?

A indução do trabalho de parto é geralmente preferível porque a cesariana em um ambiente infectado aumenta o risco de morbidade materna, incluindo infecção da ferida operatória, endometrite pós-parto e sepse. O objetivo é esvaziar o útero e controlar a infecção de forma mais segura para a mãe.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo