UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020
Gestante 30 semanas, G3P2nA0, vai à consulta de pré-natal de rotina referindo perda de líquido acentuada nessa madrugada. Nega presença de contrações. Exames laboratoriais realizados sem alterações. Ao exame físico, paciente encontra-se afebril, sem contrações e ao exame especular saída ativa de líquido claro sem grumos pelo colo uterino. É correto afirmar:
RPMO + suspeita de corioamnionite (independente da IG) → ATB + interrupção da gestação.
Em casos de Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) com suspeita clínica de corioamnionite, a prioridade é o tratamento da infecção e a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional. A manutenção da gestação sob infecção ativa aumenta os riscos maternos e fetais, superando os benefícios da prolongação da gravidez.
A Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) é a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. É uma complicação obstétrica comum, afetando cerca de 2-4% das gestações, e é a principal causa de parto prematuro. O diagnóstico é clínico, com a visualização de líquido amniótico fluindo pelo colo uterino, e pode ser confirmado por testes como o teste de nitrazina ou cristalização em folha de samambaia. A principal complicação da RPMO é a infecção intra-amniótica, conhecida como corioamnionite. A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (âmnio e córion) e do líquido amniótico. A suspeita clínica é fundamental e baseia-se na presença de febre materna, taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina e/ou secreção vaginal purulenta. Em casos de RPMO sem sinais de infecção, a conduta expectante pode ser considerada, com antibioticoprofilaxia e corticoterapia para maturação pulmonar fetal, dependendo da idade gestacional. No entanto, a presença de corioamnionite muda drasticamente a conduta. Diante de um quadro de RPMO com suspeita clínica de corioamnionite, a conduta correta é iniciar imediatamente a antibioticoterapia de amplo espectro e proceder à interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional. A tocolise e a corticoterapia para maturação pulmonar são contraindicadas nesses casos, pois a infecção ativa representa um risco maior para a mãe e o feto do que a prematuridade. O objetivo principal é controlar a infecção e evitar complicações graves como sepse materna, sepse neonatal e paralisia cerebral.
Os sinais clínicos de suspeita de corioamnionite incluem febre materna, taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação e secreção vaginal purulenta ou fétida. A presença de qualquer um desses sinais, especialmente febre, em uma gestante com RPMO, deve levantar a suspeita.
A conduta inicial em caso de RPMO com corioamnionite é a imediata antibioticoterapia de amplo espectro para tratar a infecção e a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional. Não se deve tentar tocolisar ou administrar corticoide para maturação pulmonar nestes casos.
A tocolise é contraindicada em casos de RPMO com corioamnionite porque a infecção intra-amniótica é uma contraindicação absoluta. A manutenção da gestação sob infecção ativa aumenta o risco de sepse materna e fetal, e a tocolise pode mascarar ou agravar o quadro infeccioso.
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