Manejo da Corioamnionite e Ruptura de Membranas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma mulher com 30 anos de idade, Gesta 2 Para 1 (parto vaginal), com 35 semanas de gestação, está internada em unidade materno-infantil há dois dias com queixa de perda de líquido por via vaginal. O pré-natal vinha sendo realizado, até então, sem anormalidades. Ao exame físico atual, constata-se: temperatura = 38,7°C; pressão arterial = 100 x 60 mmHg; frequência cardíaca = 110 bpm; ausculta cardiopulmonar normal; sinal de Giordano negativo. Ao exame obstétrico, observa-se: altura uterina = 30 cm; dinâmica uterina ausente; apresentação cefálica; batimentos cardíacos fetais = 170 bpm, sem desacelerações. O exame especular revela saída de líquido pelo orifício do colo uterino. Nessa situação, a conduta indicada é:

Alternativas

  1. A) Manejo expectante de avaliação de sinais de infecção; controle diário da vitalidade fetal com cardiotocografia.
  2. B) Corticoterapia para maturação pulmonar fetal; resolução da gestação por via alta, após 48 horas, com antibioticoprofilaxia.
  3. C) Corticoterapia para maturação pulmonar fetal; profilaxia para sepse neonatal por estreptococo beta-hemolítico; aguardo do trabalho de parto.
  4. D) Indução do trabalho de parto; profilaxia para sepse neonatal por estreptococo beta-hemolítico; antibioticoterapia de largo espectro.

Pérola Clínica

Febre materna + RPMO + Taquicardia fetal = Corioamnionite → Parto imediato + Antibióticos.

Resumo-Chave

A corioamnionite é uma urgência obstétrica que exige a interrupção da gestação e início imediato de antibióticos de largo espectro, independentemente da idade gestacional.

Contexto Educacional

A ruptura prematura de membranas ovulares (RPMO) pré-termo (antes de 37 semanas) exige vigilância rigorosa para infecção. Uma vez instalada a corioamnionite, o risco de sepse neonatal e paralisia cerebral aumenta drasticamente, superando os riscos da prematuridade. A conduta baseia-se no tripé: 1) Antibioticoterapia de largo espectro; 2) Interrupção da gestação (indução do parto); 3) Suporte hemodinâmico se necessário. A corticoterapia para maturação pulmonar não deve atrasar o parto em casos de infecção franca, pois o ambiente intrauterino tornou-se hostil ao feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

O diagnóstico é clínico (Critérios de Gibbs), sendo a febre materna (temp > 37,8°C ou 38,0°C) o sinal principal, associada a pelo menos dois dos seguintes: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), sensibilidade uterina dolorosa, ou líquido amniótico com odor fétido/purulento. No caso clínico apresentado, a paciente tem febre (38,7°C), taquicardia materna (110 bpm) e taquicardia fetal (170 bpm), confirmando o diagnóstico.

Qual a via de parto preferencial na corioamnionite?

A via vaginal é preferencial através da indução do trabalho de parto, a menos que haja contraindicação obstétrica absoluta. A cesariana deve ser reservada para indicações obstétricas, pois o procedimento cirúrgico em ambiente infectado aumenta significativamente o risco de complicações maternas, como endometrite, sepse e infecção da ferida operatória. O objetivo é o esvaziamento uterino o mais breve possível.

Qual o esquema antibiótico recomendado?

Deve-se iniciar antibioticoterapia de largo espectro imediatamente após o diagnóstico. O esquema clássico envolve Ampicilina (2g IV a cada 6 horas) associada à Gentamicina (3-5 mg/kg IV uma vez ao dia ou doses divididas). Em caso de cesariana, adiciona-se cobertura para anaeróbios (como Clindamicina ou Metronidazol). A profilaxia para Estreptococo do grupo B (GBS) já está contemplada no uso da Ampicilina.

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