UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Paciente com 31 semanas e 2 dias de IG, GIIPI (IPN), procura emergência com queixa de perda líquida há dois dias. Exame físico apresenta AFU = 29 cm, BCF = 172 bpm, TAx = 38º, PA = 110x170 mmHg. Exame especular: saída de líquido amniótico sem grumos pelo orifício do colo. Toque: colo 100% apagado, dilatação de 2 cm e apresentação cefálica. Hemograma revela leucocitose com desvio à esquerda. A melhor conduta para esse caso é:
Febre + Taquicardia fetal + Líquido fétido/leucocitose = Corioamnionite → Antibiótico + Parto.
A corioamnionite é uma urgência obstétrica que exige interrupção da gravidez, independentemente da idade gestacional, após estabilização com antibióticos.
A corioamnionite clínica é uma infecção aguda das membranas e do líquido amniótico, geralmente decorrente de uma infecção ascendente após a rotura das membranas (RPMO). No caso clínico apresentado, a paciente apresenta febre (38°C), taquicardia fetal (172 bpm) e leucocitose, fechando o diagnóstico clínico de Gibbs. O manejo exige rapidez para evitar a progressão para sepse materna e complicações neonatais graves, como paralisia cerebral e displasia broncopulmonar. A idade gestacional de 31 semanas, embora prematura, não autoriza a conduta conservadora diante da infecção. A prioridade é o controle do foco infeccioso através do esvaziamento uterino e suporte antibiótico.
O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Gibbs. O critério obrigatório é a febre materna (temperatura axilar ≥ 37,8°C ou 38,0°C dependendo do protocolo). Além da febre, devem estar presentes pelo menos dois dos seguintes sinais: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), sensibilidade uterina dolorosa, líquido amniótico com odor fétido ou leucocitose materna (>15.000/mm³).
A conduta baseia-se em dois pilares: antibioticoterapia de largo espectro e interrupção da gestação. Não se deve aguardar a maturidade pulmonar ou realizar corticoterapia profilática, pois o ambiente infectado é hostil ao feto e perigoso para a mãe. O esquema antibiótico clássico envolve Ampicilina e Gentamicina, podendo-se adicionar Clindamicina ou Metronidazol em caso de cesariana.
Não. A corioamnionite por si só não é indicação de cesariana. Na verdade, o parto vaginal é preferível, pois a cirurgia em campo infectado aumenta significativamente o risco de complicações maternas, como endometrite, abscesso pélvico e sepse. A indução do parto deve ser iniciada prontamente se não houver contraindicação ao parto vaginal.
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