USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Primigesta, 41 anos de idade, gestação após ciclo natural induzido. É hipertensa crônica em uso de metildopa 750 mg por dia. Teve data da última menstruação em 18/06/2023. Comparece em primeira consulta de pré-natal com os seguintes exames:A paciente retorna em consulta com 32 semanas de gravidez, com queixa de aumento de conteúdo vaginal há 1 dia. Refere que teve perda urinária espontânea há 4 horas e que, desde então, sente a vagina úmida. Uma hora após a admissão, a paciente apresenta queixa de dor em baixo ventre, com contrações irregulares. Os exames laboratoriais demonstram Hb: 11,8 g/dl; Ht: 32,2%; leucócitos: 15.000/mm³; PCR: 20. Considerando boa vitalidade fetal, assinale qual é a conduta obstétrica.
Corioamnionite confirmada → Interrupção imediata da gestação + Antibioticoterapia, independente da idade gestacional.
A presença de sinais sugestivos de infecção intra-amniótica (corioamnionite) em vigência de ruptura prematura de membranas é indicação absoluta de parto, visando reduzir morbimortalidade materna e fetal.
A Ruptura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) antes do termo (pré-termo) é um desafio obstétrico. Quando ocorre entre 24 e 34 semanas sem sinais de infecção, a conduta costuma ser conservadora (expectante). No entanto, a corioamnionite clínica altera drasticamente o prognóstico. O processo inflamatório/infeccioso libera citocinas que podem causar lesão neurológica fetal (paralisia cerebral) e risco de sepse materna. No cenário apresentado, a paciente de 32 semanas com perda de líquido, dor abdominal e leucocitose apresenta sinais de infecção ovular. Nestes casos, a conduta é a interrupção imediata da gestação. A estabilização materna com antibióticos deve preceder ou ocorrer simultaneamente ao preparo para o parto, priorizando a segurança do binômio.
O diagnóstico é clínico (Critérios de Gibbs), caracterizado por febre materna (>37,8°C) associada a pelo menos dois dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, sensibilidade uterina dolorosa, odor fétido do líquido amniótico ou leucocitose. No caso clínico, a dor uterina, contrações e leucocitose em paciente com RPMO sugerem fortemente o quadro infeccioso.
Não. A presença de infecção intra-amniótica é uma contraindicação formal à corticoterapia e à tocólise. O foco deve ser a interrupção da gestação e o início de antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente Ampicilina e Gentamicina) para evitar sepse materna e complicações neonatais graves.
A via de parto preferencial é a vaginal, reservando-se a cesariana para indicações obstétricas habituais. O trabalho de parto deve ser conduzido de forma ativa para que ocorra o mais rápido possível, minimizando o tempo de exposição do feto ao ambiente infectado.
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