FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Gestante de 32 semanas chega ao pronto atendimento com febre (39,2°C), taquicardia materna (128 bpm) e fetal (180bpm), que se mantiveram, mesmo após a redução da temperatura materna após a administração de antitérmicos. PA: 90x60 mmHg e perda de líquido amniótico de odor fétido há 24h. Exames laboratoriais: leucocitose com desvio à esquerda e PCR elevada. Segundo o protocolo da Febrasgo de 2025 sobre rotura prematura de membranas ovulares, quantos critérios clínicos para diagnóstico de corioamnionite podemos identificar neste caso?
Febre materna >38°C + 2 critérios menores (taquicardia, leucocitose, odor fétido) = Corioamnionite.
O diagnóstico de corioamnionite é clínico, baseado na febre materna (critério maior) associada a sinais de resposta inflamatória sistêmica ou evidência de infecção ovular.
A corioamnionite, ou infecção intra-amniótica, é uma complicação grave da rotura prematura de membranas (RPMO) ou do trabalho de parto prolongado. O diagnóstico é eminentemente clínico, utilizando os critérios de Gibbs modificados. A fisiopatologia envolve a ascensão de patógenos da flora vaginal para o compartimento ovular, desencadeando uma cascata inflamatória que pode levar à síndrome de resposta inflamatória fetal (FIRS). O reconhecimento precoce é vital, pois a demora no tratamento aumenta exponencialmente o risco de paralisia cerebral, sepse neonatal e endometrite pós-parto. A atualização da Febrasgo 2025 reforça a necessidade de monitorização rigorosa dos sinais vitais maternos e fetais em pacientes com RPMO, destacando que a taquicardia fetal pode preceder a febre materna em muitos casos.
Os critérios menores incluem taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), sensibilidade uterina dolorosa, líquido amniótico de odor fétido e leucocitose materna (>15.000/mm³). A presença de dois ou mais destes, associados à febre materna, confirma o diagnóstico clínico de corioamnionite, exigindo intervenção imediata para evitar complicações materno-fetais graves.
A febre induzida por analgesia peridural costuma ser baixa, sem taquicardia fetal sustentada ou outros sinais inflamatórios. Na corioamnionite, a febre é geralmente mais alta (>38°C) e frequentemente acompanhada de taquicardia fetal que não cede com antitérmicos, além de alterações laboratoriais como leucocitose e aumento de PCR.
A conduta envolve a antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente Ampicilina e Gentamicina) e a interrupção da gestação, preferencialmente por via vaginal, se não houver contraindicação obstétrica. O tempo de latência deve ser minimizado para reduzir o risco de sepse materna e neonatal.
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