Manejo da Corioamnionite na Ruptura de Membranas

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 23 anos de idade, está na sua primeira gestação, com idade gestacional de 32 semanas. Procurou atendimento na unidade de emergência, com queixa de perda de líquido pela vagina há 12 horas. Nega a ocorrência de quaisquer outros sintomas, comorbidades ou uso de medicações. Ao exame, apresenta frequência cardíaca de 100 bpm e temperatura de 36°C. A altura uterina é de 30cm, com dinâmica uterina ausente e batimento cardíaco fetal (BCF) de 146 bpm. No exame especular foi vista a presença de líquido claro coletado em fundo de saco posterior. O toque vaginal não foi realizado. Caso a paciente apresentasse febre (Temperatura axilar de 38°C) e contrações uterinas ritmadas na avaliação inicial, qual a conduta que deveria ser adotada?

Alternativas

  1. A) Assistência ao trabalho de parto, sem necessidade de antibioticoterapia.
  2. B) Indicar a realização de parto cesárea e iniciar antibioticoterapia.
  3. C) Fazer medicações para inibição de trabalho de parto e antibioticoterapia.
  4. D) Assistência ao trabalho de parto vaginal e iniciar antibioticoterapia.

Pérola Clínica

RPMO + Febre + Contrações = Corioamnionite → Parto (via vaginal preferencial) + Antibióticos.

Resumo-Chave

A presença de febre associada à ruptura de membranas e atividade uterina configura corioamnionite clínica, exigindo interrupção da gestação e antibioticoterapia imediata, independentemente da idade gestacional.

Contexto Educacional

A Ruptura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) pré-termo (antes de 37 semanas) é um desafio clínico. Quando ocorre infecção (corioamnionite), o risco de sepse neonatal e morbidade materna supera os riscos da prematuridade, tornando a interrupção da gravidez mandatória. A conduta conservadora (expectante) é contraindicada na presença de infecção. O manejo foca na estabilização materna, início de antibióticos de amplo espectro para cobrir flora vaginal e entérica, e progressão para o parto. É crucial evitar a tocólise (inibição do trabalho de parto) e o uso de corticoides para maturação pulmonar se a infecção já estiver estabelecida, pois o foco infeccioso deve ser removido o mais rápido possível para evitar a progressão para sepse materna ou neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para corioamnionite?

O diagnóstico de corioamnionite é predominantemente clínico. O critério principal é a febre materna (temperatura axilar ≥ 37,8°C ou 38°C), acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sinais: taquicardia materna, taquicardia fetal, sensibilidade uterina dolorosa, líquido amniótico purulento ou com odor fétido, e leucocitose. No caso da questão, a febre associada à ruptura de membranas e contrações já direciona para o diagnóstico e necessidade de intervenção.

Por que preferir o parto vaginal na corioamnionite?

O parto vaginal é preferível porque a cesariana em um ambiente infectado aumenta significativamente o risco de complicações maternas graves, como infecção da ferida operatória, pelviperitonite, abscesso pélvico e sepse. A infecção amniótica não é uma indicação de cesárea por si só; a interrupção deve ser rápida, mas a via deve ser decidida por critérios obstétricos habituais, estimulando o trabalho de parto se necessário.

Qual o esquema de antibióticos recomendado?

O esquema clássico para o tratamento da corioamnionite intraparto envolve a combinação de Ampicilina (2g IV a cada 6 horas) e Gentamicina (3-5 mg/kg IV uma vez ao dia ou doses fracionadas). Em caso de cesariana, costuma-se adicionar cobertura para anaeróbios, como Clindamicina ou Metronidazol, para reduzir o risco de endometrite pós-operatória. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico.

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