Corioamnionite Clínica: Diagnóstico e Conduta Essencial

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 32a, G3P2A0C0, idade gestacional de 32 semanas, com antecedente de dois partos prematuros. Procura o pronto atendimento obstétrico com queixa de perda de líquido via vaginal e contrações. Exame especular: líquido amniótico de aspecto purulento saindo pelo orifício externo do colo, com pH de 9,0 e colo aparentemente pérvio para 2 cm. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Profilaxia para estreptococo do grupo B, corticoide para maturação pulmonar e hiper-hidratação.
  2. B) Antibioticoterapia com cobertura para gram negativo, anaeróbio e Streptococcus do grupo B e induzir o parto.
  3. C) Hiper-hidratação, profilaxia para Streptococcus do grupo B e inibir trabalho de parto.
  4. D) Antibioticoterapia com cobertura para gram positivo, corticoide para maturação pulmonar e indução de parto após 48 horas.

Pérola Clínica

Corioamnionite clínica (líquido purulento, pH > 7) → ATB amplo espectro + indução do parto imediata, independente da IG.

Resumo-Chave

A presença de líquido amniótico purulento e pH elevado (sugerindo alcalinização por infecção) em uma gestante com trabalho de parto prematuro é um quadro de corioamnionite clínica. Nesses casos, a conduta é a antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir Gram negativos, anaeróbios e Estreptococo do grupo B) e a indução do parto, pois a infecção representa um risco maior para a mãe e o feto do que a prematuridade.

Contexto Educacional

A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (córion e âmnion) e do líquido amniótico, sendo uma complicação grave da gestação, especialmente em casos de rotura prematura de membranas. Sua incidência varia, mas é mais comum em partos prematuros. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade materna e neonatal, incluindo sepse, pneumonia neonatal e paralisia cerebral. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da vagina e colo uterino para a cavidade amniótica. O diagnóstico é clínico, baseado em febre materna e pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina ou líquido amniótico purulento/fétido. A presença de líquido amniótico purulento, como no caso, é um sinal patognomônico. É fundamental suspeitar de corioamnionite em gestantes com rotura prematura de membranas e sinais de infecção, ou em trabalho de parto prematuro com achados sugestivos. O tratamento da corioamnionite clínica consiste na antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente ampicilina + gentamicina ou clindamicina para alérgicas à penicilina) e na indução do parto, independentemente da idade gestacional. Não há indicação para tocólise ou uso de corticoides para maturação pulmonar uma vez que a infecção está estabelecida, pois o risco da infecção supera os benefícios da prolongação da gestação. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o tratamento rápido e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de corioamnionite?

Os principais sinais clínicos de corioamnionite incluem febre materna, taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação e, em casos mais avançados, líquido amniótico purulento ou fétido. A presença de líquido purulento no exame especular é um sinal inequívoco de infecção intra-amniótica.

Qual a conduta imediata diante de um diagnóstico de corioamnionite clínica?

A conduta imediata é iniciar antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo Gram negativos, anaeróbios e Estreptococo do grupo B, e proceder com a indução do parto. Não se deve tentar inibir o trabalho de parto ou postergar o esvaziamento uterino, mesmo em gestações pré-termo, devido ao risco de sepse materna e fetal.

Por que o pH vaginal elevado é um achado relevante na suspeita de corioamnionite?

O pH vaginal elevado (acima de 7,0-7,5) em caso de rotura de membranas pode indicar a presença de líquido amniótico, que é alcalino. No contexto de infecção, a alcalinização pode ser exacerbada por produtos bacterianos, reforçando a suspeita de corioamnionite, especialmente quando associado a outros sinais como aspecto purulento.

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