Corioamnionite na RPMO: Diagnóstico e Conduta

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Primigesta, 23 anos, com idade gestacional de 31 semanas, chega ao centro obstétrico apresentando temperatura axilar de 38°C, FC 115 bpm e com perda de líquido via vaginal. Nega queixas de disúria ou dor lombar. Ao exame abdominal, feto único com BCF 170 bpm, altura uterina de 28 cm, dorso à esquerda, apresentação cefálica, aumento da sensibilidade uterina e dinâmica de uma contração a cada 10 minutos. Ao exame especular, flui líquido pelo colo, que está aparentemente fechado. Não foi realizado exame de toque. Hemograma com leucocitose e desvio à esquerda. Diante do quadro clínico, além da internação hospitalar e do uso de antibiótico, qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Corticoide e sedação do trabalho de parto
  2. B) Corticoide e observação por 48 horas
  3. C) Cesariana imediata
  4. D) Indução do parto

Pérola Clínica

RPMO + sinais de infecção (febre, taquicardia fetal/materna, sensibilidade uterina) = Corioamnionite → Indução do parto.

Resumo-Chave

A presença de rotura prematura de membranas associada a sinais de infecção intra-amniótica (corioamnionite), como febre materna, taquicardia fetal e sensibilidade uterina, indica a necessidade de interrupção da gestação, preferencialmente por indução do parto, após início de antibioticoterapia.

Contexto Educacional

A rotura prematura de membranas (RPMO) é uma complicação obstétrica comum, definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre antes de 37 semanas, é denominada RPMO pré-termo. A principal complicação da RPMO é a infecção intra-amniótica, conhecida como corioamnionite, que pode levar a sepse materna e fetal, além de morbidade neonatal significativa. O diagnóstico de corioamnionite é clínico e baseia-se na presença de febre materna, taquicardia materna e/ou fetal, sensibilidade uterina e, em alguns casos, líquido amniótico purulento. Exames laboratoriais como hemograma com leucocitose e desvio à esquerda podem corroborar o diagnóstico. É crucial reconhecer esses sinais precocemente para evitar desfechos adversos. A conduta na corioamnionite é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, após o início da antibioticoterapia. A via de parto preferencial é a vaginal, por indução, a menos que haja contraindicações obstétricas para o parto vaginal. O uso de corticoides para maturação pulmonar fetal é contraindicado na presença de infecção ativa, pois pode agravar o quadro materno.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios incluem febre materna (>38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), sensibilidade uterina, líquido amniótico purulento ou leucocitose materna com desvio à esquerda.

Qual a conduta inicial em caso de corioamnionite?

A conduta inicial é a internação hospitalar, início de antibioticoterapia de amplo espectro e a interrupção da gestação, preferencialmente por indução do parto, independentemente da idade gestacional.

Por que não se deve usar corticoide e sedar o trabalho de parto na corioamnionite?

O uso de corticoide para maturação pulmonar é contraindicado na presença de infecção intra-amniótica ativa, pois pode mascarar ou agravar a infecção. Sedar o trabalho de parto também é inadequado, pois a prioridade é a interrupção da gestação para controle da infecção.

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