UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022
Paciente com 32 semanas de gestação informa perda líquida há 3 dias. Ao exame físico, apresentou o seguinte: pulso = 98 bpm e temperatura = 38,5 °C. Os resultados dos exames laboratoriais foram: leucograma = 18.330 leucócitos com 70% de segmentados e 20% de bastonetes. Diante do quadro apresentado, o ginecologista deve prescrever
RPMO + febre materna, taquicardia, leucocitose com desvio → Corioamnionite = ATB + interrupção da gestação.
A presença de sinais de infecção materna (febre, taquicardia, leucocitose com desvio à esquerda) em caso de Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) configura corioamnionite. Nesses casos, a conduta é antibioticoterapia e interrupção da gravidez, independentemente da idade gestacional, pois a infecção representa risco grave para mãe e feto.
A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (córion e âmnion) e do líquido amniótico, sendo uma complicação grave da Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO). Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, sendo crucial para residentes reconhecer e manejar prontamente. A suspeita clínica é fundamental para um diagnóstico precoce e uma intervenção eficaz, que impacta diretamente o prognóstico. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da vagina para a cavidade amniótica, especialmente após a rotura das membranas. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna e pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina ou secreção vaginal purulenta. Exames laboratoriais como leucocitose com desvio à esquerda apoiam o diagnóstico. É importante suspeitar de corioamnionite em qualquer gestante com RPMO que apresente sinais de infecção. O tratamento da corioamnionite é a antibioticoterapia de amplo espectro e a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional. A via de parto preferencial é a vaginal, a menos que haja outras indicações obstétricas para cesariana. A maturação pulmonar com corticoides é contraindicada na presença de infecção ativa. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o diagnóstico e tratamento rápidos, prevenindo complicações como sepse, hemorragia pós-parto e paralisia cerebral.
Os principais sinais clínicos incluem febre materna (≥ 38°C), taquicardia materna (> 100 bpm), taquicardia fetal (> 160 bpm), dor uterina e secreção vaginal purulenta. Laboratorialmente, leucocitose materna com desvio à esquerda é um achado comum.
A conduta inicial é a administração de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir os patógenos mais comuns (ex: ampicilina + gentamicina ou clindamicina + gentamicina) e a interrupção da gravidez, preferencialmente por via vaginal, assim que possível.
A corticoterapia para maturação pulmonar fetal é contraindicada na presença de corioamnionite porque pode suprimir a resposta imune materna, mascarar a progressão da infecção e não oferece benefício fetal significativo diante do risco de sepse materna e neonatal.
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