Corioamnionite: Diagnóstico Clínico e Conduta Imediata

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma gestante primigesta, com 31 semanas e 4 dias de gestação, foi admitida há 12 horas com diagnóstico confirmado de amniorrexe prematura. No momento da admissão, foi iniciada corticoterapia com betametasona e antibioticoterapia de latência. Durante a reavaliação atual, a paciente queixa-se de dor abdominal contínua. Ao exame físico, apresenta temperatura axilar de 37,7°C, frequência cardíaca materna de 106 bpm e frequência cardíaca fetal de 172 bpm. Ao exame obstétrico, observa-se útero doloroso à palpação e saída de líquido amniótico de odor fétido pelo colo uterino. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Iniciar antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura para gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios, e proceder à interrupção da gestação por via vaginal.
  2. B) Solicitar exames laboratoriais complementares, como proteína C reativa e hemograma seriado, aguardando os resultados para confirmar o diagnóstico de corioamnionite.
  3. C) Indicar parto cesáreo imediato sob antibioticoterapia profilática, visando reduzir o tempo de exposição fetal ao ambiente infectado e prevenir a sepse neonatal.
  4. D) Manter a conduta conservadora para completar o ciclo de corticoterapia, associando analgésicos e monitorização rigorosa dos sinais vitais a cada 2 horas.

Pérola Clínica

Corioamnionite = Antibiótico Amplo Espectro + Interrupção da Gestação (Via Vaginal preferencial).

Resumo-Chave

O diagnóstico de corioamnionite é clínico e exige tratamento imediato com antibióticos e esvaziamento uterino, independentemente da idade gestacional.

Contexto Educacional

A corioamnionite é uma complicação grave da ruptura prematura de membranas e do trabalho de parto prolongado. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da flora vaginal para o espaço intra-amniótico, desencadeando uma resposta inflamatória sistêmica. O manejo baseia-se em dois pilares: erradicação da infecção e interrupção da gestação. A conduta expectante é contraindicada uma vez firmado o diagnóstico, mesmo em prematuros extremos, devido ao alto risco de paralisia cerebral e sepse neonatal. A indução do parto deve ser iniciada prontamente, visando o parto vaginal, que apresenta melhores desfechos infecciosos maternos em comparação à via alta. A antibioticoterapia deve ser de amplo espectro para cobrir a flora polimicrobiana vaginal e entérica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios clínicos para corioamnionite?

O diagnóstico de corioamnionite (ou infecção intra-amniótica) é eminentemente clínico, caracterizado por febre materna (≥ 37,8°C ou 38,0°C) associada a pelo menos dois dos seguintes sinais: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), sensibilidade uterina dolorosa, ou líquido amniótico purulento/fétido. Exames laboratoriais como leucocitose e PCR elevada corroboram, mas não devem atrasar o início do tratamento diante da suspeita clínica forte.

A via de parto deve ser sempre cesárea na corioamnionite?

Não. A corioamnionite por si só não é uma indicação absoluta de cesariana. Na verdade, o parto vaginal é preferível, pois a cesárea em ambiente infectado aumenta significativamente o risco de complicações maternas, como endometrite pós-parto, abscesso pélvico e sepse. A cesárea deve ser reservada para indicações obstétricas habituais ou falha na progressão do trabalho de parto, sempre sob cobertura antibiótica adequada.

Qual o esquema antibiótico recomendado?

O esquema clássico envolve a combinação de Ampicilina (para Gram-positivos e Estreptococo do grupo B) e Gentamicina (para Gram-negativos). Em casos de cesariana, adiciona-se Clindamicina ou Metronidazol para cobertura de anaeróbios. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico para reduzir a morbidade neonatal e materna, continuando até que a paciente esteja afebril por 24 a 48 horas após o parto.

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