Corioamnionite: Diagnóstico e Manejo no TPP

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Uma gestante com 35,1 semanas chega à maternidade referindo dor no baixo-ventre. Ao exame, bom estado geral, FC = 118 bpm e Tax = 38°C. No exame obstétrico, constatam-se altura uterina de 28cm, BCF = 176bpm, presença de 3 contrações útero nas moderadas em 10 minutos e colo uterino dilatado para 3cm. No exame especular, observa-se corrimento amarelo-esverdeado bolhoso, sem perda líquida. O exame de ultrassonografia mostra feto único, cefálico, com peso de 1.370g (P5), placenta posterior grau II - III e líquido amniótico diminuído. Neste caso, a melhor conduta seria:

Alternativas

  1. A) inibir o trabalho de parto e realizar corticoterapia em ciclo único, para maturidade pulmonar fetal
  2. B) inibir o trabalho de parto e introduzir antibioticoterapia para aumentar o período de latência
  3. C) acompanhar o trabalho de parto com monitorização da vitalidade fetal e introduzir ampicilina para a profilaxia de Strepto-coccus do grupo B
  4. D) inibir o trabalho de parto por 48 horas para efeito terapêutico adequado do corticosteroide na síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido
  5. E) indicar parto cesárea em função da prematuridade, do peso fetal e da cervicodilatação

Pérola Clínica

Gestante com febre, taquicardia fetal, LA ↓ e corrimento bolhoso em TPP → suspeita de corioamnionite/infecção; indicar parto e ATB.

Resumo-Chave

A presença de febre materna, taquicardia fetal, líquido amniótico diminuído e corrimento sugestivo de infecção (tricomoníase ou outra) em trabalho de parto prematuro indica um quadro de infecção intra-amniótica ou corioamnionite. Nesses casos, a prioridade é a resolução da gestação, não a inibição do parto, devido ao risco materno-fetal.

Contexto Educacional

A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (córion e âmnion) e do líquido amniótico, frequentemente associada ao trabalho de parto prematuro e à rotura prematura de membranas. É uma condição grave que aumenta o risco de morbimortalidade materna e fetal, sendo um diagnóstico diferencial importante em gestantes com febre e trabalho de parto. A identificação precoce é crucial para a tomada de decisão. Os critérios diagnósticos para corioamnionite incluem febre materna, associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, sensibilidade uterina ou corrimento vaginal purulento. No caso apresentado, a gestante tem febre, taquicardia fetal e corrimento sugestivo de infecção (amarelo-esverdeado bolhoso, que pode indicar tricomoníase, um fator de risco para TPP e infecção). O líquido amniótico diminuído também é um achado preocupante. A conduta na corioamnionite é a resolução da gestação, sem inibição do trabalho de parto, e início de antibioticoterapia de amplo espectro (ex: ampicilina + gentamicina ou clindamicina). A profilaxia para Strepto-coccus do grupo B (GBS) com ampicilina é indicada em trabalho de parto prematuro, mas a prioridade aqui é o tratamento da infecção intra-amniótica. A corticoterapia para maturidade pulmonar fetal é contraindicada em infecção ativa devido ao risco de mascarar a sepse materna e piorar o quadro infeccioso.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de corioamnionite em gestantes?

Os sinais de corioamnionite incluem febre materna (>38°C), taquicardia materna, taquicardia fetal (>160 bpm), dor uterina e corrimento vaginal purulento. A presença de líquido amniótico diminuído também pode ser um achado associado.

Qual a conduta para trabalho de parto prematuro com suspeita de infecção?

Em caso de trabalho de parto prematuro com suspeita de infecção intra-amniótica (corioamnionite), a conduta é não inibir o parto. Deve-se iniciar antibioticoterapia de amplo espectro e proceder com a resolução da gestação, preferencialmente por via vaginal, se não houver outras contraindicações.

Por que não se inibe o parto na corioamnionite?

Não se inibe o parto na corioamnionite porque a infecção representa um risco significativo para a mãe (sepse, hemorragia pós-parto) e para o feto (sepse neonatal, pneumonia, paralisia cerebral). A resolução da gestação é crucial para controlar a infecção e melhorar o prognóstico.

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