Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
K.M.B; 32 anos, GIV PII 2N AI, deu entrada no PSGO com TAX 38 ºC, FC 110 bpm, dor uterina. Não sabia da gestação. Submetida a ultrassom obstétrico que evidenciou FUV (feto único vivo), apresentação cefálica, peso fetal 210 g, biometria compatível com 17 semanas, MBV: 5 cm, BCF: 140 bpm, placenta ant G0. Ao exame físico: Especular: saída de secreção purulenta e fétida pelo OE (orifício externo) do colo uterino. TV: colo 4 cm, médio, medianizado, bolsa íntegra. Indique a conduta adequada.
Corioamnionite em feto inviável (<24 semanas) → priorizar saúde materna com ATB EV, hidratação e indução do parto.
Em casos de corioamnionite com feto inviável (gestação < 24 semanas), a prioridade é a saúde materna. A conduta inclui antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa, hidratação vigorosa e a condução do trabalho de parto para esvaziamento uterino, visando controlar a infecção e prevenir sepse materna grave.
A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (córion e âmnion) e do líquido amniótico, geralmente causada por bactérias ascendentes da vagina. É uma complicação séria da gravidez, associada a trabalho de parto prematuro, rotura prematura de membranas e aumento da morbimortalidade materna e perinatal. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna e pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina ou secreção vaginal purulenta. No cenário de uma gestação com feto inviável (tipicamente antes de 24 semanas), a corioamnionite representa uma emergência obstétrica que exige uma abordagem focada na saúde materna. A fisiopatologia envolve a disseminação da infecção, que pode levar rapidamente à sepse materna, choque séptico e falência de múltiplos órgãos. A presença de secreção purulenta e fétida pelo colo uterino é um sinal claro de infecção grave. A conduta adequada prioriza a estabilização da mãe e o controle da infecção. Isso inclui antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa (ex: ampicilina + gentamicina ou clindamicina + gentamicina), hidratação vigorosa e antitérmicos. A interrupção da gestação, por meio da indução ou condução do trabalho de parto, é essencial para remover a fonte da infecção (útero infectado) e prevenir a progressão da sepse. Corticosteroides para maturação pulmonar e sulfato de magnésio para neuroproteção fetal não são indicados devido à inviabilidade fetal, e tocolíticos são contraindicados, pois podem mascarar a progressão da infecção e prolongar a exposição materna ao risco.
Os sinais e sintomas de corioamnionite incluem febre materna (>38°C), taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação, e secreção vaginal purulenta ou fétida. A confirmação é clínica, mas exames laboratoriais podem auxiliar.
A prioridade é a saúde materna porque, em gestações com feto inviável (geralmente antes de 24 semanas), a infecção intra-amniótica pode progredir rapidamente para sepse materna grave, choque séptico e falência de múltiplos órgãos, colocando a vida da mãe em risco iminente.
A conduta inicial envolve antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa, hidratação vigorosa, controle da febre e indução ou condução do trabalho de parto para esvaziamento uterino. Não são indicados tocolíticos, corticoides para maturação pulmonar ou neuroproteção fetal.
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