Corioamnionite: Diagnóstico e Manejo no Trabalho de Parto Prematuro

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente G3P2, idade gestacional (IG) = 33 semanas, comparece ao pronto atendimento com queixa de dor abdominal, leucorreia fétida e febre aferida hoje, temperatura axilar = 38°C. Ao exame: altura uterina (AU) = 30cm; dinâmica uterina (DU) = 2 contrações fortes em 10 minutos; batimento cardíaco fetal = 140 batimentos/minutos. Saída de secreção purulenta pelo orifício do colo. Toque vaginal: dilatação de 5cm, com colo fino, anterior. Cardiotocografia com padrão tranquilizador. Qual deve ser a conduta?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia e assistência ao trabalho de parto, ao parto e ao puerpério.
  2. B) Internação, inibição de trabalho de parto e corticoterapia intravenosa materna.
  3. C) Resolução da gestação por via alta imediatamente, considerando a vitalidade fetal.
  4. D) Antibioticoterapia, inibição do trabalho de parto e início de corticoterapia materna.

Pérola Clínica

Febre + leucorreia fétida + DU + dilatação cervical na gestação → Corioamnionite = Indicação de resolução da gestação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de corioamnionite (febre, leucorreia fétida, dinâmica uterina, dilatação cervical). A corioamnionite é uma infecção intra-amniótica que, uma vez diagnosticada, requer antibioticoterapia e resolução da gestação, independentemente da idade gestacional, para evitar complicações maternas e fetais.

Contexto Educacional

A corioamnionite, ou infecção intra-amniótica, é uma condição grave que representa uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Caracteriza-se pela infecção das membranas amnióticas, líquido amniótico e/ou placenta, geralmente ascendente a partir do trato genital inferior. É mais comum em casos de ruptura prematura de membranas prolongada e trabalho de parto prematuro. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna e pelo menos um sinal adicional, como taquicardia materna ou fetal, dor uterina ou secreção purulenta pelo colo. Uma vez diagnosticada, a corioamnionite é uma indicação para a resolução da gestação, independentemente da idade gestacional. A tocólise (inibição do trabalho de parto) é contraindicada, pois prolongaria a exposição do feto à infecção e aumentaria o risco de sepse materna. O tratamento consiste em antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, geralmente cobrindo bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbios, como ampicilina e gentamicina, com adição de clindamicina em caso de cesariana. A assistência ao trabalho de parto e parto deve ser realizada com monitoramento rigoroso da mãe e do feto. A via de parto não é necessariamente cesariana, sendo a via vaginal preferível se não houver outras indicações obstétricas para cesariana. O manejo pós-parto inclui a continuação da antibioticoterapia e monitoramento para sinais de sepse puerperal. O reconhecimento precoce e a conduta adequada são cruciais para melhorar os desfechos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios incluem febre materna (≥38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou secreção vaginal purulenta.

Qual a conduta inicial em caso de corioamnionite diagnosticada?

A conduta inicial é a antibioticoterapia de amplo espectro e a resolução da gestação, independentemente da idade gestacional, pois a infecção representa risco materno e fetal.

Por que a tocólise é contraindicada na corioamnionite?

A tocólise é contraindicada na corioamnionite porque a infecção intra-amniótica é uma condição que exige a interrupção da gestação para prevenir a disseminação da infecção e complicações graves para a mãe e o feto.

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