Corioamnionite: Diagnóstico e Manejo no Trabalho de Parto Prematuro

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 29a, G3P2C0A0, 33 semanas e 4 dias de gestação, vem à Unidade de Emergência com queixa de contrações uterinas dolorosas e redução da movimentação fetal há 4 horas. Nega queixas nos demais aparelhos e não tem comorbidades. Exame físico: regular estado geral, Temp= 39oC, FC= 117 bpm, FR=18 irpm, PA= 100x60 mmHg; exame obstétrico: altura uterina 31 cm, dinâmica uterina 3 contrações de 30 segundos em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais 166 bpm, toque vaginal: colo 70% esvaecido, medianizado, 4 cm de dilatação, bolsa íntegra, feto cefálico. Exame sumário de urina: normal, Leucócitos= 22.570 mm³ (20% de bastões). Foram coletadas: cultura para estreptococo do grupo B, hemocultura e urocultura.ALÉM DA ANTIBIOTICOTERAPIA DE AMPLO ESPECTRO E SUPORTE A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Aguardar resultado de culturas para definir via de parto.
  2. B) Realizar neuroproteção fetal.
  3. C) Assistir ao trabalho de parto vaginal.
  4. D) Inibir trabalho de parto por 48 horas, até maturação pulmonar fetal.

Pérola Clínica

Corioamnionite (febre, taquicardia materna/fetal, leucocitose, DU) → Não inibir TP, iniciar ATB e assistir parto.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais claros de corioamnionite (febre, taquicardia materna e fetal, leucocitose com desvio, dinâmica uterina e dilatação cervical). Nestes casos, a inibição do trabalho de parto e a maturação pulmonar fetal são contraindicadas, sendo a conduta correta a assistência ao parto, com antibioticoterapia de amplo espectro.

Contexto Educacional

A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais e do líquido amniótico, representando uma complicação grave da gestação, especialmente em casos de trabalho de parto prematuro ou rotura prematura de membranas. Sua incidência varia, mas é uma causa importante de morbimortalidade materna e neonatal. O diagnóstico de corioamnionite é clínico, baseado na presença de febre materna (≥38°C) e pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), dor uterina ou secreção vaginal purulenta. Leucocitose materna com desvio à esquerda (>15.000-20.000/mm³) é um achado laboratorial comum que reforça a suspeita. A conduta na corioamnionite é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, para resolver o foco infeccioso. A via de parto preferencial é a vaginal, a menos que haja outras indicações obstétricas para cesariana. É fundamental iniciar antibioticoterapia de amplo espectro imediatamente, cobrindo gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios. A inibição do trabalho de parto e a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal são contraindicadas, pois podem prolongar a infecção e não trazem benefícios nesse contexto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios incluem febre materna (>38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), dor uterina ou secreção vaginal purulenta. Leucocitose materna também é um achado comum.

Qual a conduta obstétrica na corioamnionite?

A conduta principal é a interrupção da gestação, preferencialmente por via vaginal, com antibioticoterapia de amplo espectro. A inibição do trabalho de parto e a corticoterapia para maturação pulmonar fetal são contraindicadas.

Por que a maturação pulmonar fetal é contraindicada na corioamnionite?

A maturação pulmonar fetal com corticoides é contraindicada na corioamnionite devido ao risco de mascarar a infecção materna, prolongar a exposição fetal à infecção e não ter benefício comprovado em um cenário de infecção ativa.

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