Corioamnionite: Critérios Diagnósticos e Manejo

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 25 anos de idade, primigesta, idade gestacional = 32 semanas, deu entrada no serviço de urgência com queixa de perda de líquido claro há 4 dias. Há um dia apresentou febre (temperatura axilar = 38ºC), dor abdominal e náuseas. Durante avaliação inicial apresentava-se em BEG, temperatura axilar = 37ºC, altura uterina = 30cm, dinâmica uterina 3 contrações 30""/10 minutos, toque vaginal: 4cm de dilatação, amolecido e intermediário, exame especular: saída de secreção purulenta pelo colo uterino, cardiotocografia categoria I. Quais critérios a paciente apresenta para diagnóstico de corioamnionite?

Alternativas

  1. A) Febre, dilatação cervical e saída de secreção purulenta pelo colo uterino.
  2. B) Febre, saída de secreção purulenta pelo colo uterino e vitalidade fetal alterada.
  3. C) Febre, dor abdominal e saída de secreção purulenta pelo colo uterino.
  4. D) Dilatação cervical, saída de secreção purulenta pelo colo uterino, vitalidade fetal alterada.

Pérola Clínica

Corioamnionite: febre materna + ≥2 critérios (taquicardia materna/fetal, dor uterina, secreção purulenta).

Resumo-Chave

O diagnóstico de corioamnionite requer febre materna (≥ 38°C) e pelo menos dois outros critérios clínicos, como taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina ou secreção purulenta pelo colo. A dor abdominal e a secreção purulenta, na presença de febre, são fortes indicativos de infecção intra-amniótica.

Contexto Educacional

A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (córion e âmnion) e do líquido amniótico, geralmente causada por bactérias que ascendem do trato genital inferior. É uma complicação grave da gravidez, associada a rotura prematura de membranas (RPM) e trabalho de parto prematuro, com risco significativo para a mãe e o feto. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais. Os critérios diagnósticos para corioamnionite incluem febre materna (temperatura oral ≥ 38°C) e pelo menos dois dos seguintes: taquicardia materna (> 100 bpm), taquicardia fetal (> 160 bpm), dor uterina à palpação, ou secreção purulenta pelo colo uterino. No caso clínico apresentado, a paciente tem febre, dor abdominal (que pode ser interpretada como dor uterina) e secreção purulenta, preenchendo os critérios. A vitalidade fetal alterada é uma complicação, não um critério primário de diagnóstico. O tratamento da corioamnionite envolve antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, para prevenir a progressão da infecção e suas consequências. Para residentes, é fundamental dominar os critérios diagnósticos e a conduta imediata, pois a corioamnionite é uma emergência obstétrica que exige decisão rápida e eficaz para otimizar os desfechos maternos e neonatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para corioamnionite?

Os principais fatores de risco incluem rotura prematura de membranas (RPM) prolongada, trabalho de parto prolongado, múltiplos exames de toque vaginal, presença de infecções genitais e colonização por bactérias patogênicas.

Qual a conduta inicial em caso de diagnóstico de corioamnionite?

A conduta inicial é a antibioticoterapia de amplo espectro (ex: ampicilina + gentamicina) e a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, para evitar complicações maternas e fetais graves.

Como a corioamnionite afeta o feto?

A corioamnionite pode levar a sepse neonatal, pneumonia congênita, meningite, paralisia cerebral e, em casos graves, óbito fetal. A infecção pode causar sofrimento fetal e parto prematuro.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo