Corioamnionite em RPMO: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Secundisgesta (G2P1N), 33 semanas de gestação, está internada com diagnóstico de corioamniorrexe prematura em conduta expectante há uma semana. Na ocasião do diagnóstico recebeu betametasona e 48 horas de penicilina cristalina. Na avaliação realizada hoje, se queixou de dor abdominal. Exame físico: BEG, temperatura de 38,0°C, demais sinais vitais e exame físico geral normais. Atividade uterina ausente, feto apresentação cefálica. Vitalidade geral preservada. Toque: colo posterior, médio, 1 polpa, feto cefálico. Exames laboratoriais: Hemograma: glóbulos brancos = 13.500/mm³, 17% de bastões, plaquetas 180.000/mm³. Swab vaginal/endoanal para Estreptococo do grupo B positivo. Quais as melhores condutas nesse momento?

Alternativas

  1. A) Clindamicina, betametasona por 24 horas e resolução da gestação por cesárea.
  2. B) Clindamicina, penicilina cristalina e indução do trabalho de parto.
  3. C) Amoxicilina, azitromicina, penicilina cristalina e indução do trabalho de parto na 34ª semana.
  4. D) Clindamicina, gentamicina e resolução da gestação por cesárea.

Pérola Clínica

RPMO + febre + dor abdominal + leucocitose com desvio + GBS+ = corioamnionite → ATB + indução do parto.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais claros de corioamnionite (febre, dor abdominal, leucocitose com desvio à esquerda) em um contexto de RPMO e GBS positivo. A conduta é iniciar antibioticoterapia adequada e proceder à interrupção da gestação, preferencialmente por indução do trabalho de parto.

Contexto Educacional

A rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) é uma complicação obstétrica que aumenta significativamente o risco de infecção intra-amniótica, conhecida como corioamnionite. A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais e do líquido amniótico, representando uma emergência obstétrica que exige intervenção imediata para prevenir morbidade e mortalidade materna e fetal. O diagnóstico de corioamnionite é clínico, baseado na presença de febre materna (≥ 38°C) e pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou secreção vaginal purulenta. Exames laboratoriais como leucocitose materna com desvio à esquerda reforçam a suspeita. A presença de Estreptococo do Grupo B (GBS) positivo no swab vaginal/endoanal aumenta a preocupação com a infecção. Uma vez diagnosticada a corioamnionite, a conduta é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, para controlar a infecção. A via de parto preferencial é a vaginal, através da indução do trabalho de parto, a menos que haja uma contraindicação obstétrica para o parto vaginal. A antibioticoterapia de amplo espectro, como penicilina cristalina (ou clindamicina em caso de alergia) e gentamicina, deve ser iniciada imediatamente para cobrir os patógenos mais comuns, incluindo o GBS. A betametasona, que foi administrada previamente para maturação pulmonar, não deve ser repetida neste cenário de infecção ativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios incluem febre materna (>38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou secreção vaginal purulenta. Leucocitose materna com desvio à esquerda também é um forte indicativo.

Qual a antibioticoterapia recomendada para corioamnionite?

O tratamento empírico inicial geralmente inclui ampicilina ou penicilina cristalina (para cobertura de GBS) associada a gentamicina. Em caso de alergia à penicilina, clindamicina pode ser usada. A cobertura para anaeróbios pode ser considerada em alguns casos.

Por que a indução do trabalho de parto é preferível à cesárea na corioamnionite?

A indução do trabalho de parto é preferível para reduzir o risco de infecção puerperal materna e complicações cirúrgicas. A cesárea é reservada para indicações obstétricas, como falha na indução ou sofrimento fetal.

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