SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Uma gestante de 22 anos de idade, G1, IG = 34 semanas e 1 dia, compareceu ao pronto-socorro da maternidade com queixa de perda de líquido via vaginal, que parecia água com odor de água sanitária, há seis horas. Relatou ter achado que era urina, mas que iniciou com calafrios e optou por procurar assistência médica. Negou outros sintomas. Ao exame físico, apresentou FC = 102 bpm, T = 39 ºC, FR = 25 irpm, SpO2 = 99%, PA = 110 mmHg x 75mmHg e BCF = 162 bpm. O exame especular mostrou presença de líquido transparente, com rajas de sangue exteriorizando-se por orifício externo de colo uterino. Ao exame de abdome, demonstrou dor à palpação do útero.Acerca do caso clínico mencionado, considere que a paciente em atendimento, ao toque vaginal, tenha apresentado colo posterior, com 1 cm de dilatação, cabeça fetal em -1 de Delee e dinâmica uterina ausente. Nesse contexto, assinale a alternativa que corresponde à conduta mais adequada ao caso.
A corioamnionite clínica ocorre em cerca de 1-5% das gestações a termo e em até 25% das gestações com ruptura prematura de membranas (RPMO) pré-termo. A fisiopatologia envolve geralmente a ascensão de bactérias da flora vaginal através do colo uterino. Uma vez estabelecida a infecção, há uma resposta inflamatória sistêmica que pode desencadear o trabalho de parto ou comprometer a vitalidade fetal. No caso clínico apresentado, a paciente tem 34 semanas, RPMO e sinais claros de infecção (febre, taquicardia, dor uterina). A conduta de 'expectativa' ou o uso de corticoides para maturação pulmonar são contraindicados na presença de infecção ovular, pois o ambiente intrauterino tornou-se hostil. O foco deve ser a estabilização materna, início de antibióticos de amplo espectro e a resolução do parto, priorizando a via vaginal através da indução, conforme preconizado pelos principais protocolos de obstetrícia.
O diagnóstico de corioamnionite (ou Triple I - Intrauterine Inflammation or Infection) é eminentemente clínico. O critério principal é a febre materna (temperatura axilar ≥ 37,8°C ou 38,0°C, dependendo do protocolo), associada a pelo menos dois dos seguintes sinais: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), sensibilidade ou dor uterina à palpação, e líquido amniótico com odor fétido ou aspecto purulento. Leucocitose materna também pode auxiliar, mas é menos específica. Na presença desses sinais, o tratamento deve ser iniciado imediatamente para reduzir riscos de sepse materna e sequelas neonatais como paralisia cerebral.
O esquema padrão-ouro para o tratamento da corioamnionite é a combinação de Ampicilina (2g EV a cada 6 horas) e Gentamicina (3-5 mg/kg EV uma vez ao dia ou 1,5 mg/kg a cada 8 horas). Essa combinação oferece cobertura de amplo espectro contra patógenos comuns da flora vaginal e entérica, como Estreptococos do grupo B e E. coli. Em casos de parto cesáreo, deve-se adicionar cobertura para anaeróbios, geralmente com Clindamicina ou Metronidazol, para reduzir o risco de endometrite pós-operatória. O tratamento deve ser mantido até que a paciente esteja afebril por pelo menos 24-48 horas após o parto.
Não. A corioamnionite é uma indicação de interrupção da gravidez, mas não necessariamente por via alta. Na verdade, o parto vaginal é preferível, pois a cesariana em vigência de infecção intra-amniótica aumenta significativamente o risco de complicações maternas, como infecção da ferida operatória, abscesso pélvico e sepse. A indução do parto deve ser iniciada prontamente com ocitocina, se necessário. A cesariana deve ser reservada apenas para as indicações obstétricas habituais (ex: desproporção cefalopélvica, sofrimento fetal agudo ou apresentações anômalas).
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