Corioamnionite: Diagnóstico e Manejo na Gestação Pré-Termo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Primigesta, 32 semanas e 3 dias de idade gestacional, dá entrada na maternidade com queixa de dor abdominal difusa e febre há 1 dia. Refere ainda perda diária de pequena quantidade de líquido via vaginal há uma semna, sem odor característico. Ao exame : bom estado geral, FC = 105 bpm, PA = 100x60 mmHg TA = 38°, útero doloroso à palpação, especular evidencia saída de líquido amarelado pelo orifício externo do colo uterino, BCF: 150bpm, presença de 3 contrações moderadas em 10 minutos. Ao toque, colo fino, 4 cm de dilatação. O teste da cristalização em lâmina foi negativo. Nesse caso, a melhor conduta seria 

Alternativas

  1. A) ampicilina e cesárea. 
  2. B) penicilina G cristalina EV e tocólise.
  3. C) tocólise e betametasona para maturação pulmonar. 
  4. D) ampicilina EV, evolução espontânea do trabalho de parto.
  5. E) cefazolina EV, tocólise e corticoindução da maturidade pulmonar.

Pérola Clínica

Febre + dor uterina + líquido amarelado + taquicardia materna/fetal na RPMO → Corioamnionite = ATB + interrupção da gestação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de corioamnionite (febre, taquicardia materna, útero doloroso, líquido amniótico purulento/amarelado) em contexto de ruptura prematura de membranas (perda de líquido há uma semana). A conduta é iniciar antibioticoterapia de amplo espectro (ampicilina) e interromper a gestação, pois a infecção representa risco materno e fetal. A tocólise e corticoterapia são contraindicadas na presença de infecção.

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro clínico sugestivo de corioamnionite, uma infecção intra-amniótica que ocorre frequentemente após a ruptura prematura de membranas (RPMO). Os sinais incluem febre materna, taquicardia materna, útero doloroso à palpação, e a presença de líquido amarelado/purulento via vaginal. A RPMO é evidenciada pela perda de líquido há uma semana, mesmo com teste de cristalização negativo (que pode ter sido falso negativo ou o líquido já não era mais amniótico puro). A corioamnionite é uma condição grave que aumenta o risco de sepse materna, disfunção orgânica, hemorragia pós-parto e, para o feto, sepse neonatal, pneumonia, hemorragia intraventricular e paralisia cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna (>38°C) e pelo menos dois dos seguintes: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), útero doloroso à palpação, ou líquido amniótico purulento. A conduta imediata é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, e o início de antibioticoterapia de amplo espectro. A ampicilina intravenosa é uma escolha comum, frequentemente combinada com gentamicina. A tocólise e a corticoterapia para maturação pulmonar são contraindicadas na presença de corioamnionite, pois a infecção é uma indicação para o parto e a tocólise pode mascarar a progressão da infecção e atrasar o tratamento definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios diagnósticos incluem febre materna (>38°C) e pelo menos dois dos seguintes: taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), útero doloroso à palpação ou líquido amniótico purulento.

Qual a conduta inicial em caso de corioamnionite com trabalho de parto prematuro?

A conduta inicial é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, e o início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro, como ampicilina intravenosa, frequentemente combinada com gentamicina.

Por que a tocólise e a corticoterapia são contraindicadas na corioamnionite?

A tocólise é contraindicada porque a infecção é uma indicação para o parto e atrasar a interrupção pode agravar o quadro materno e fetal. A corticoterapia para maturação pulmonar também é contraindicada na presença de infecção ativa.

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