FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
Primigesta estava com 34 semanas e procurou a Maternidade porque percebeu perda de líquido claro pela vagina, que molhou sua roupa, há 5 horas. Ao ser examinada foi constatado: PA=90x60 mmHg, pulso=110 bpm, temperatura axilar=38ºC, altura uterina=32 cm, apresentação cefálica, batimentos cardíacos fetais=160bpm. Atividade uterina de 3 contrações com duração de 50 segundos/10 minutos. Ao exame especular: o colo dava saída a secreção leuco-amarelada e fétida. Ao toque: colo apagado 80%, dilatado para 6 cm, apresentação em 0 De Lee. Diante deste quadro impõe-se à seguinte conduta:
RPM com sinais de corioamnionite (febre, taquicardia fetal, secreção fétida) = interrupção imediata da gestação + ATB, sem tocólise.
A presença de rotura prematura de membranas (RPM) associada a sinais de corioamnionite (febre, taquicardia materna/fetal, secreção vaginal purulenta/fétida) é uma emergência obstétrica. A conduta é a interrupção imediata da gestação, independentemente da idade gestacional, e antibioticoterapia, sendo a tocólise formalmente contraindicada.
A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais (córion e âmnion) e do líquido amniótico, frequentemente associada à rotura prematura de membranas (RPM) e ao trabalho de parto prematuro. É uma complicação obstétrica grave que pode levar a morbidade e mortalidade materna e neonatal significativas, sendo um tema de alta relevância em provas de residência médica e na prática clínica. O diagnóstico de corioamnionite é clínico, baseado na presença de febre materna (≥ 38°C) associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou secreção vaginal purulenta/fétida. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da vagina para a cavidade amniótica. A suspeita deve ser alta em gestantes com RPM e sinais de infecção. A conduta diante de um quadro de corioamnionite é a interrupção imediata da gestação, independentemente da idade gestacional, e o início de antibioticoterapia de largo espectro. A tocólise é formalmente contraindicada, e a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal não é indicada quando há infecção ativa e necessidade de parto imediato. O objetivo é controlar a infecção e minimizar os riscos de sepse materna e neonatal, sendo a via de parto preferencial a vaginal, salvo contraindicações obstétricas.
Os principais sinais e sintomas de corioamnionite incluem febre materna (temperatura axilar ≥ 38°C), taquicardia materna (> 100 bpm), taquicardia fetal (> 160 bpm), dor uterina à palpação, e secreção vaginal purulenta ou fétida. A presença de dois ou mais desses critérios, além da febre, sugere o diagnóstico.
A tocólise é contraindicada na corioamnionite porque a infecção intra-amniótica é uma condição que exige a interrupção imediata da gestação. A tentativa de inibir as contrações pode prolongar a exposição do feto à infecção, aumentar o risco de sepse materna e fetal, e não melhora o prognóstico neonatal.
A via de parto preferencial em caso de corioamnionite é a vaginal, desde que não haja contraindicações obstétricas. A cesariana deve ser reservada para indicações obstétricas específicas, como falha na progressão do trabalho de parto ou sofrimento fetal, pois aumenta o risco de morbidade infecciosa materna.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo