Corioamnionite na RPMO: Diagnóstico e Conduta Essencial

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente primigesta, 25 anos, com 33 semanas de idade gestacional, chega na emergência com queixa de perda de líquido há 3 horas. Pré natal de baixo risco. Ao exame pressão arterial 90x60mmHg, frequência cardíaca materna 110 bpm, temperatura axilar 39° C, útero doloroso à mobilização, contrações uterinas ausentes, fundo uterino 30 cm, batimentos cardíacos fetais 170 bpm. Exame especular com saída de líquido amniótico turvo, colo fechado. Qual a conduta recomendada?

Alternativas

  1. A) Iniciar ampicilina e gentamicina intravenosos, além de corticoterapia intramuscular.
  2. B) Iniciar ampicilina e gentamicina intravenosos, além de ocitocina para indução do parto.
  3. C) Dieta zero, cesariana após primeira dose de ampicilina, gentamicina e metronidazol intravenosos.
  4. D) Indicado rastreio infeccioso, penicilina para profilaxia para estreptococo do grupo B (GBS) e indução do parto.
  5. E) Indicado swab para pesquisa de GBS, azitromicina dose única e ampicilina 48 horas, seguido por amoxicilina por 5 dias. Além de corticoterapia.

Pérola Clínica

RPMO + sinais de infecção (febre, taquicardia fetal, LA turvo) = Corioamnionite → ATB + Interrupção da gestação.

Resumo-Chave

Em caso de Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) com sinais de corioamnionite (febre materna, taquicardia fetal, útero doloroso, líquido amniótico turvo), a conduta é iniciar antibioticoterapia (ampicilina e gentamicina) e proceder à interrupção da gestação, geralmente por indução do parto.

Contexto Educacional

A Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) é uma complicação obstétrica que aumenta significativamente o risco de infecção intra-amniótica, conhecida como corioamnionite. A corioamnionite é uma infecção grave que pode levar a sepse materna, parto pré-termo, sofrimento fetal e infecção neonatal. É crucial que o residente saiba identificar rapidamente os sinais e sintomas dessa condição. Os sinais de corioamnionite incluem febre materna, taquicardia materna e fetal, dor uterina à palpação e, em alguns casos, líquido amniótico turvo ou purulento. Diante desses achados, a conduta é imediata e visa a interrupção da gestação e o tratamento da infecção. A antibioticoterapia empírica com ampicilina e gentamicina intravenosas é o padrão ouro, cobrindo os principais patógenos. Ao contrário da RPMO sem infecção, onde a conduta pode ser expectante com corticoterapia para maturação pulmonar, na presença de corioamnionite, a gestação deve ser interrompida. A indução do parto é a via preferencial, a menos que haja contraindicações obstétricas para o parto vaginal. A falha em reconhecer e tratar a corioamnionite prontamente pode ter consequências devastadoras para a mãe e o feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios incluem febre materna (≥ 38°C) associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna (> 100 bpm), taquicardia fetal (> 160 bpm), dor uterina à palpação, líquido amniótico purulento ou leucocitose materna. A presença de líquido amniótico turvo é um forte indicativo.

Qual a conduta recomendada para corioamnionite em gestação pré-termo?

A conduta é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, e o início imediato de antibioticoterapia intravenosa. O esquema padrão geralmente inclui ampicilina e gentamicina. A via de parto (indução ou cesariana) dependerá das condições obstétricas e maternas.

Por que a corticoterapia é contraindicada na corioamnionite?

A corticoterapia para maturação pulmonar fetal é contraindicada na presença de corioamnionite, pois a infecção ativa aumenta os riscos maternos e fetais, e a interrupção da gestação é prioritária. O benefício da maturação pulmonar não supera os riscos da infecção em curso.

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