Corioamnionite: Diagnóstico e Manejo na RPMO Prolongada

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante 16 anos, GI P0, 33 semanas, chega à maternidade relatando perda de líquido amniótico há 5 dias, tendo procurado atendimento por apresentar quadro febril desde a véspera. O exame especular revela saída de líquido amniótico purulento e de odor fétido oriundo do orifício cervical externo. No exame físico encontra-se BCF presente, ausência de contrações uterinas, colo BISHOP 3 e febre de 39°. Qual a conduta mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Induzir o parto.
  2. B) Cesariana.
  3. C) Antibióticos e aguardar maturidade pulmonar.
  4. D) Corticóide, antibiótico e manter gestação até 34 semanas.
  5. E) Corticóide e aguardar 48 horas para interromper gestação.

Pérola Clínica

RPMO prolongada + febre + líquido purulento/fétido = corioamnionite → interrupção da gestação (indução ou cesariana).

Resumo-Chave

A presença de rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) prolongada, febre materna e líquido amniótico purulento/fétido são sinais claros de corioamnionite. Nesses casos, a interrupção da gestação é a conduta mais adequada, independentemente da idade gestacional, para prevenir sepse materna e fetal.

Contexto Educacional

A rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) é a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando prolongada (geralmente > 18-24 horas) e associada a sinais de infecção, como febre materna e líquido amniótico purulento ou fétido, configura um quadro de corioamnionite, uma infecção intra-amniótica grave. A corioamnionite é uma complicação séria da RPMO, com risco significativo de morbimortalidade materna e fetal. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da vagina para a cavidade amniótica, levando a uma resposta inflamatória. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna e outros sinais de infecção, como taquicardia materna/fetal, dor uterina e, crucialmente, líquido amniótico com características purulentas ou odor fétido. A conduta na corioamnionite é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional. Não se deve aguardar a maturidade pulmonar fetal, pois o risco de sepse materna e fetal supera os benefícios de prolongar a gravidez. A via de parto preferencial é a vaginal, através da indução do parto, a menos que haja outras indicações obstétricas para cesariana. Antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada imediatamente para cobrir os patógenos mais comuns.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para corioamnionite?

Os critérios incluem febre materna (>38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou líquido amniótico purulento/fétido.

Por que a interrupção da gestação é a conduta prioritária na corioamnionite?

A corioamnionite é uma infecção grave que pode levar à sepse materna e fetal, com risco de morte. A interrupção da gestação é essencial para controlar a infecção e proteger a vida da mãe e do bebê, superando a necessidade de prolongar a gestação para maturidade pulmonar.

Qual o papel dos antibióticos na corioamnionite?

Antibióticos de amplo espectro devem ser iniciados imediatamente para tratar a infecção. No entanto, o tratamento definitivo é a interrupção da gestação, pois os antibióticos sozinhos não resolvem a infecção intra-amniótica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo