INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020
Gestante 16 anos, GI P0, 33 semanas, chega à maternidade relatando perda de líquido amniótico há 5 dias, tendo procurado atendimento por apresentar quadro febril desde a véspera. O exame especular revela saída de líquido amniótico purulento e de odor fétido oriundo do orifício cervical externo. No exame físico encontra-se BCF presente, ausência de contrações uterinas, colo BISHOP 3 e febre de 39°. Qual a conduta mais adequada para o caso?
RPMO prolongada + febre + líquido purulento/fétido = corioamnionite → interrupção da gestação (indução ou cesariana).
A presença de rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) prolongada, febre materna e líquido amniótico purulento/fétido são sinais claros de corioamnionite. Nesses casos, a interrupção da gestação é a conduta mais adequada, independentemente da idade gestacional, para prevenir sepse materna e fetal.
A rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) é a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando prolongada (geralmente > 18-24 horas) e associada a sinais de infecção, como febre materna e líquido amniótico purulento ou fétido, configura um quadro de corioamnionite, uma infecção intra-amniótica grave. A corioamnionite é uma complicação séria da RPMO, com risco significativo de morbimortalidade materna e fetal. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da vagina para a cavidade amniótica, levando a uma resposta inflamatória. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre materna e outros sinais de infecção, como taquicardia materna/fetal, dor uterina e, crucialmente, líquido amniótico com características purulentas ou odor fétido. A conduta na corioamnionite é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional. Não se deve aguardar a maturidade pulmonar fetal, pois o risco de sepse materna e fetal supera os benefícios de prolongar a gravidez. A via de parto preferencial é a vaginal, através da indução do parto, a menos que haja outras indicações obstétricas para cesariana. Antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada imediatamente para cobrir os patógenos mais comuns.
Os critérios incluem febre materna (>38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina à palpação ou líquido amniótico purulento/fétido.
A corioamnionite é uma infecção grave que pode levar à sepse materna e fetal, com risco de morte. A interrupção da gestação é essencial para controlar a infecção e proteger a vida da mãe e do bebê, superando a necessidade de prolongar a gestação para maturidade pulmonar.
Antibióticos de amplo espectro devem ser iniciados imediatamente para tratar a infecção. No entanto, o tratamento definitivo é a interrupção da gestação, pois os antibióticos sozinhos não resolvem a infecção intra-amniótica.
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