TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere um paciente com quadro de movimentos rápidos, espasmódicos, irregulares e imprevisíveis que ocorrem em repouso, afetando, principalmente, as mãos (figura a seguir), face, cabeça e parte inferior dos braços: Nesse caso, qual é o diagnóstico desse movimento e as possíveis causas?
Movimentos rápidos, espasmódicos e imprevisíveis em repouso = Coreia (ex: Sydenham).
A coreia é caracterizada por hipercinesia involuntária, irregular e migratória. Na pediatria, a causa clássica é a Coreia de Sydenham, manifestação tardia da febre reumática.
A coreia representa um estado de hiperatividade dopaminérgica nos gânglios da base. Na febre reumática, o processo inflamatório atinge o corpo estriado. O manejo envolve o tratamento da infecção estreptocócica subjacente, profilaxia secundária com penicilina benzatina e, em casos graves, uso de bloqueadores dopaminérgicos ou anticonvulsivantes como o ácido valproico.
A coreia é um distúrbio do movimento caracterizado por contrações musculares involuntárias, breves, rápidas, irregulares e sem um padrão rítmico. Esses movimentos parecem fluir de uma parte do corpo para outra de forma imprevisível. Clinicamente, o paciente pode tentar 'disfarçar' o movimento incorporando-o a um gesto voluntário (paracinesia). Afeta comumente a face, tronco e extremidades distais, interferindo na marcha e na fala, e desaparece durante o sono.
A Coreia de Sydenham é um dos critérios maiores de Jones para o diagnóstico de Febre Reumática (FR). Ela ocorre devido a uma reação autoimune pós-estreptocócica (Streptococcus pyogenes do grupo A), onde anticorpos reagem de forma cruzada com os gânglios da base (mimetismo molecular). É uma manifestação tardia, podendo surgir meses após a faringite inicial, e muitas vezes é a única manifestação presente, permitindo o diagnóstico isolado de FR.
Além da Coreia de Sydenham, deve-se considerar a Doença de Huntington (hereditária, progressiva, com declínio cognitivo), Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), coreia induzida por fármacos (como neurolépticos ou anticonvulsivantes), tireotoxicose e causas vasculares (AVC em núcleos da base). Em crianças, a principal preocupação é descartar causas inflamatórias e autoimunes, enquanto em adultos, causas genéticas e neurodegenerativas ganham relevância.
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