Coréia de Sydenham: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

Gabriele, 5 anos, é trazida a consulta pediátrica. Há 2 meses, a família percebeu labilidade emocional, com choro e explosões de humor inexplicáveis. Há cerca de 4 semanas, houve surgimento de disartria e de movimentos sinuosos, incoordenados, rápidos e estereotipados nos membros superiores que melhoram durante o sono. Exames de neuroimagem foram normais. Sobre a provável doença de base, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Sem outro critério maior, o diagnóstico de Febre Reumática está descartado.
  2. B) A confirmação de estreptococcia (ASLO > 200) é necessária neste caso.
  3. C) Para o caso, a regurgitação mitral é patognomônica.
  4. D) Marcadores inflamatórios como PCR e VHS normais, impossibilitarão o diagnóstico de Coréia de Sydenham.
  5. E) Nenhuma das anteriores está correta.

Pérola Clínica

Coréia de Sydenham: critério maior de Febre Reumática, pode surgir isoladamente, ASLO/PCR/VHS podem ser normais.

Resumo-Chave

A Coréia de Sydenham é uma manifestação neurológica tardia da Febre Reumática, caracterizada por movimentos coreicos, labilidade emocional e disartria. Pode ser a única manifestação da Febre Reumática (critério maior isolado), e os marcadores inflamatórios (PCR, VHS) e o ASLO podem estar normais no momento do diagnóstico, pois a infecção estreptocócica pode ter ocorrido meses antes.

Contexto Educacional

A Coréia de Sydenham, também conhecida como "dança de São Vito", é uma manifestação neurológica tardia da Febre Reumática (FR), uma doença inflamatória autoimune que ocorre após uma infecção por Streptococcus pyogenes. É um dos critérios maiores de Jones e é caracterizada por movimentos involuntários, rápidos, descoordenados e sem propósito (coreia), que afetam principalmente os membros superiores e a face, melhorando durante o sono. Além disso, a labilidade emocional, irritabilidade e disartria são sintomas comuns. O diagnóstico da Coréia de Sydenham é essencialmente clínico. É crucial entender que, por ser uma manifestação tardia (podendo surgir até 6 meses após a infecção estreptocócica), os exames laboratoriais que indicam infecção recente, como o ASLO (antiestreptolisina O) e os marcadores inflamatórios (PCR e VHS), podem estar normais no momento da apresentação da coreia. Portanto, a ausência de ASLO elevado ou de PCR/VHS alterados não descarta o diagnóstico. A Coréia de Sydenham pode ser a única manifestação da Febre Reumática, o que significa que não é necessário ter outros critérios maiores (como cardite ou artrite) para firmar o diagnóstico de FR quando a coreia está presente. A regurgitação mitral, embora comum na FR, não é patognomônica da coreia e nem sempre está presente. O tratamento visa o controle dos sintomas e a profilaxia secundária da FR para prevenir novas recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Coréia de Sydenham?

Os principais sintomas incluem movimentos involuntários, rápidos e descoordenados (coreia), labilidade emocional, irritabilidade, disartria e fraqueza muscular. Esses sintomas geralmente melhoram durante o sono.

A Coréia de Sydenham pode ser a única manifestação da Febre Reumática?

Sim, a Coréia de Sydenham é um critério maior da Febre Reumática e pode ser a única manifestação clínica presente, especialmente por ser uma manifestação tardia da doença.

É necessário ter ASLO elevado ou PCR/VHS alterados para diagnosticar Coréia de Sydenham?

Não, a Coréia de Sydenham pode ocorrer meses após a infecção estreptocócica, de modo que o ASLO e os marcadores inflamatórios (PCR, VHS) podem estar normais no momento do diagnóstico. O diagnóstico é clínico.

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