IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Sobre a coreia de Sydenham, pode-se afirmar que:
Coreia de Sydenham → Movimentos involuntários, descoordenados e arrítmicos que cessam durante o sono.
A Coreia de Sydenham é uma manifestação tardia e um critério maior da Febre Reumática, caracterizada por movimentos discinéticos que desaparecem completamente no sono profundo.
A Coreia de Sydenham resulta de uma reação de hipersensibilidade tipo II, onde anticorpos contra o estreptococo do grupo A apresentam reação cruzada com os neurônios dos gânglios da base (mimetismo molecular). É a causa mais comum de coreia adquirida na infância. O diagnóstico é eminentemente clínico e sua presença isolada é suficiente para o diagnóstico de Febre Reumática, exigindo profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 21 dias para evitar danos cardíacos permanentes.
Os movimentos da Coreia de Sydenham são involuntários, abruptos, não rítmicos e descoordenados. Eles afetam predominantemente as extremidades e a face (caretas), podendo ser acompanhados de hipotonia muscular e instabilidade emocional (labilidade). Uma característica semiológica clássica é que esses movimentos pioram com o estresse ou quando o paciente tenta realizar tarefas motoras finas, mas desaparecem completamente durante o sono. O sinal do 'ordenhador' (pressão variável ao apertar a mão do examinador) e a protrusão lingual intermitente ('língua de sapo') são sinais físicos comuns.
A Coreia de Sydenham é classificada como um critério maior nos Critérios de Jones para o diagnóstico do primeiro surto de Febre Reumática. É importante notar que a coreia pode ser a única manifestação da doença (coreia pura), ocorrendo após um longo período de latência (até 6 meses) após a faringoamigdalite estreptocócica. Nesses casos, os marcadores inflamatórios e o título de ASLO podem já estar normais no momento do diagnóstico neurológico.
O curso da Coreia de Sydenham é geralmente autolimitado, durando de algumas semanas a vários meses (média de 2 a 3 meses), embora raramente possa persistir por mais tempo. O tratamento foca no repouso e na erradicação do estreptococo com penicilina benzatina para prevenir novos surtos. Em casos graves, onde os movimentos interferem nas atividades diárias ou oferecem risco de queda, podem ser utilizados medicamentos como haloperidol, ácido valproico ou carbamazepina para controle sintomático.
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