Coreia de Sydenham: Diagnóstico e Etiologia em Pediatria

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2020

Enunciado

Escolar de 8 anos, sexo feminino, é levada ao pronto atendimento por ter se cortado com uma faca no rosto. Anamnese revela que usou penicilina benzatina de 3 a 6 anos por problemas no coração. Mãe refere irritabilidade, choro fácil, descontrole emocional e quedas frequentes. Ao exame: hipotonia muscular leve , movimentos involuntários do rosto e das mãos. Baseado na sua hipótese diagnóstica, deve ser solictado a pesquisa de anticorpos contra:

Alternativas

  1. A) Estreptococcus grupo B
  2. B) Estreptococcus grupo A
  3. C) Staphylococcus aureus
  4. D) Neisseria meningitidis
  5. E) pneumococo

Pérola Clínica

Coreia de Sydenham → manifestação tardia de Febre Reumática, associada a Estreptococo grupo A.

Resumo-Chave

A Coreia de Sydenham é uma manifestação neurológica tardia da febre reumática, causada por infecção prévia por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Os sintomas incluem movimentos involuntários, hipotonia e labilidade emocional, podendo surgir meses após a infecção inicial.

Contexto Educacional

A Coreia de Sydenham é uma das manifestações maiores da Febre Reumática (FR), uma doença inflamatória autoimune que afeta crianças e adolescentes, geralmente entre 5 e 15 anos. É uma sequela não supurativa de uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Sua importância clínica reside na possibilidade de ser a única manifestação da FR e na necessidade de profilaxia secundária para prevenir recorrências e danos cardíacos. Fisiopatologicamente, a Coreia de Sydenham é considerada um distúrbio autoimune que afeta os gânglios da base, com anticorpos que reagem cruzadamente com antígenos neuronais. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de movimentos coreicos involuntários, hipotonia e labilidade emocional, em um paciente com história de infecção estreptocócica ou evidência de FR. A pesquisa de anticorpos anti-estreptococo (ASLO, anti-DNAse B) pode auxiliar no diagnóstico, embora possam estar negativos no momento da coreia, por ser uma manifestação tardia. O tratamento da Coreia de Sydenham é primariamente sintomático, com o uso de medicamentos como haloperidol ou valproato para controlar os movimentos. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para prevenir novas infecções estreptocócicas e, consequentemente, novas crises de febre reumática e suas sequelas, especialmente a cardite reumática. O prognóstico é geralmente bom, com resolução completa dos sintomas na maioria dos casos, mas pode haver recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Coreia de Sydenham?

A Coreia de Sydenham manifesta-se com movimentos involuntários (coreia), hipotonia muscular, labilidade emocional, irritabilidade e choro fácil. Pode afetar face, tronco e extremidades.

Qual a relação entre Coreia de Sydenham e Febre Reumática?

A Coreia de Sydenham é uma das manifestações maiores da Febre Reumática, uma doença inflamatória autoimune que ocorre após infecção por Streptococcus pyogenes. É uma manifestação tardia, podendo surgir meses após a infecção.

Qual o tratamento para a Coreia de Sydenham?

O tratamento é sintomático, com medicamentos para controlar os movimentos coreicos (ex: haloperidol, valproato), e profilaxia secundária com penicilina benzatina para prevenir novas crises de febre reumática.

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