Coreia de Sydenham: Diagnóstico e Tratamento com Penicilina

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino, 10a, refere que há duas semanas tem apresentado dificuldades para escrever e para se alimentar (levar o alimento à boca). Além disso refere desequilibrio ao andar, que piora quando fica nervoso. Nega febre, cefaleia ou perda de consciência. Antecedentes: quadro de febre, cansaço e dor em tornozelo D e ombro E há dois meses. Exame físico: corado, hidratado, acianótico, irrequieto, consciente. Exame neurológico: reflexos e força muscular normais; articulações sem alterações, com movimentos assimétricos de face e de língua.O TRATAMENTO INICIAL É:

Alternativas

  1. A) Psicoterapia.
  2. B) Piridoxina.
  3. C) Penicilina benzatina.
  4. D) Vigabatrina.

Pérola Clínica

Coreia de Sydenham (movimentos involuntários + antecedente reumático) → Penicilina benzatina para erradicar estreptococo e profilaxia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de movimentos involuntários (coreia), desequilíbrio e antecedente de febre e artralgia migratória é altamente sugestivo de Coreia de Sydenham, uma manifestação maior da Febre Reumática Aguda. O tratamento inicial visa erradicar o Streptococcus pyogenes com Penicilina benzatina e iniciar a profilaxia secundária para prevenir recorrências.

Contexto Educacional

A Coreia de Sydenham, também conhecida como 'dança de São Vito', é uma manifestação neurológica tardia da Febre Reumática Aguda (FRA), uma doença inflamatória autoimune que ocorre após uma infecção por Streptococcus pyogenes do grupo A (GAS). É mais comum em crianças e adolescentes, com pico de incidência entre 5 e 15 anos. A epidemiologia da FRA está diretamente ligada à prevalência de infecções estreptocócicas não tratadas, sendo ainda um problema de saúde pública em muitas regiões. A fisiopatologia envolve um mecanismo autoimune, onde anticorpos produzidos contra o GAS reagem de forma cruzada com antígenos nos gânglios da base do cérebro, causando inflamação e disfunção neuronal. Clinicamente, a Coreia de Sydenham manifesta-se por movimentos involuntários, arrítmicos e sem propósito, que afetam principalmente a face, língua e extremidades. Pode haver também labilidade emocional, fraqueza muscular e dificuldades na escrita e alimentação, como descrito no caso. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones modificados, onde a coreia é uma manifestação maior. O antecedente de febre e artralgia migratória há dois meses reforça a suspeita de FRA. O tratamento inicial da Coreia de Sydenham envolve a erradicação do Streptococcus pyogenes com Penicilina benzatina, mesmo que a infecção aguda já tenha passado, e o início da profilaxia secundária contínua com Penicilina benzatina para prevenir recorrências de FRA e, consequentemente, o desenvolvimento ou agravamento da cardite reumática. Além disso, podem ser utilizados medicamentos sintomáticos para controlar os movimentos coreicos, como haloperidol ou valproato, mas a penicilina é fundamental para o manejo da doença de base e prevenção de complicações cardíacas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Coreia de Sydenham?

Caracteriza-se por movimentos involuntários, arrítmicos e sem propósito, que afetam principalmente a face, língua e extremidades, além de labilidade emocional e fraqueza muscular. Pode haver piora com estresse.

Por que a Penicilina benzatina é o tratamento inicial para a Coreia de Sydenham?

A Penicilina benzatina é utilizada para erradicar qualquer infecção residual por Streptococcus pyogenes e, mais importante, para iniciar a profilaxia secundária da Febre Reumática Aguda, prevenindo recorrências e o desenvolvimento de cardite reumática.

Como a Coreia de Sydenham se relaciona com a Febre Reumática Aguda?

A Coreia de Sydenham é uma das manifestações maiores da Febre Reumática Aguda, uma doença inflamatória autoimune que ocorre após uma infecção por Streptococcus pyogenes. Pode ser a única manifestação e geralmente tem um curso benigno, mas a profilaxia é vital.

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