UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015
João Antônio, 6 anos de idade, foi conduzido à UBS por estar apresentando, há 4 meses, alteração de comportamento, com irritabilidade e choro fácil. Segundo a mãe do menor, há um mês vem observando também movimentos desordenados dos braços e pernas, principalmente quando ocorre algum estímulo, levando a quedas frequentes. Nega presença dos movimentos durante o sono. No início, achou que a criança estava "fazendo manha", pois os sintomas iniciaram logo após a viagem da avó do menor. Mas como tem persistido, ficou preocupada e resolveu procurar o serviço médico. Nega presença de qualquer outro sintoma. Quando perguntada sobre os antecedentes pessoais fisiológicos e patólogicos da criança, a mãe referiu que o menor nasceu de parto normal, hospitalar, sem intercorrências, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade, sendo internado duas vezes com diarreia e vômito (com 2 e 4 anos de idade). Há 7 meses a criança teve um episódio de gripe e há 6 meses, amigdalite. No exame físico geral, o médico anotou os seguintes achados: BEG, ativo, eupneico, normocárdico, anictérico, acianótico, hidratado, consciente, orientado. Presença de movimentos involuntários rápidos, arrítmicos e incoordenados de membros superiores e inferiores. Baseado nas informações do texto, qual o provável diagnóstico de João Antônio?
Movimentos coreicos + Antecedente de orofaringite + Alteração comportamental = Coreia de Sydenham.
A Coreia de Sydenham é uma manifestação tardia da febre reumática, resultante de mimetismo molecular após infecção por Streptococcus pyogenes, afetando os gânglios da base.
A febre reumática continua sendo uma causa importante de morbidade em crianças em países em desenvolvimento. A Coreia de Sydenham, embora muitas vezes autolimitada, é um marcador de risco para o desenvolvimento de cardiopatia reumática crônica. O reconhecimento precoce dos movimentos coreicos e da labilidade emocional associada é vital para evitar diagnósticos errôneos de transtornos psiquiátricos ou neurológicos primários. A adesão rigorosa à profilaxia secundária com penicilina benzatina é a intervenção mais eficaz para prevenir danos valvares permanentes.
A Coreia de Sydenham decorre de um processo autoimune por mimetismo molecular. Após uma faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes (grupo A), o corpo produz anticorpos que reagem de forma cruzada com antígenos nos gânglios da base (especialmente o núcleo caudado e putame). Essa reação inflamatória desregula os circuitos motores, resultando em movimentos involuntários, hipotonia e labilidade emocional. É considerada uma manifestação tardia, ocorrendo meses após a infecção inicial.
O diagnóstico é eminentemente clínico. Caracteriza-se por movimentos rápidos, desordenados e sem finalidade, que pioram com o estresse e desaparecem durante o sono. Frequentemente é acompanhada de fraqueza muscular (sinal da ordenha) e alterações de comportamento. Por ser uma manifestação tardia da febre reumática, exames como ASLO ou cultura de orofaringite podem já estar normais no momento do diagnóstico da coreia, mas ela isoladamente já pontua como critério maior de Jones.
O tratamento visa o controle dos sintomas motores e a erradicação do estreptococo. Para os movimentos, podem ser usados anticonvulsivantes (ácido valproico) ou neurolépticos (haloperidol) em casos graves. O repouso é fundamental. Essencialmente, todo paciente com Coreia de Sydenham deve receber penicilina benzatina para erradicar o foco estreptocócico e iniciar a profilaxia secundária (geralmente a cada 21 dias) para prevenir novos surtos de febre reumática e cardite.
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