USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 55 anos de idade, sem acompanhamento médico regular ou medicações de uso contínuo, comparece no pronto-socorro por movimentos involuntários em membro superior e inferior esquerdos há oito horas, ao acordar. Exame clínico normal. Exame neurológico: hemibalismo e hemicoreia, sem outros achados ao exame neurológico. Tomografia de crânio sem contraste é apresentada a seguir: O exame a ser feito e o tratamento mais adequados são, respectivamente:
Hemibalismo súbito + hiperdensidade em gânglios da base na TC → Checar Glicemia (Coreia Hiperglicêmica).
A coreia hiperglicêmica não cetótica manifesta-se com movimentos involuntários e hiperdensidade estriatal na TC, sendo revertida com controle glicêmico.
A Coreia Hiperglicêmica Não Cetótica (ou Síndrome de Chorea-Ballism associada à hiperglicemia) é uma complicação neurológica rara do Diabetes Mellitus. Clinicamente, manifesta-se como movimentos involuntários amplos e vigorosos (hemibalismo) ou mais distais e arrítmicos (hemicoreia), geralmente unilaterais. O achado radiológico clássico na Tomografia Computadorizada é a hiperdensidade do núcleo caudado e putâmen contralateral aos movimentos. Na Ressonância Magnética, observa-se hipersinal em T1. O reconhecimento precoce evita investigações invasivas desnecessárias e permite o tratamento rápido com insulina e neurolépticos de baixa dose.
A fisiopatologia exata é debatida, mas acredita-se que envolva isquemia local, deposição de cálcio/manganês ou hemorragia petequial secundária à hiperosmolaridade e alterações metabólicas nos gânglios da base (especialmente o putâmen).
O tratamento fundamental é a correção da hiperglicemia. Para o controle sintomático dos movimentos coreicos ou balísticos, utilizam-se bloqueadores de receptores dopaminérgicos, como o haloperidol, ou depletores de dopamina (tetrabenazina).
Embora o início seja súbito, a apresentação clínica de hemibalismo isolado sem déficits motores focais (paresia) e a imagem característica de hiperdensidade estriatal apontam para causa metabólica, não para AVC isquêmico de grande vaso.
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