Coréia Aguda na Infância: Diagnóstico Diferencial e Manejo

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Alessandro, 15 anos de idade, dá entrada ao Pronto-Socorro Pediátrico com história de distúrbio de movimento com início há 2 meses. Ao exame clínico-neurológico, o paciente apresenta Coréia de caráter generalizado, com provas de persistência motora alteradas e reflexo pendular presente. Na investigação, seu ecocardiograma demonstrou a presença de uma endocardite asséptica em válvula mitral. Sobre o caso clínico, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A Doença de Sydenham engloba Coréia, labilidade emocional, transtornos psiquiátricos, diminuição de vocalização e crises convulsivas como sintomas neurológicos.
  2. B) Em 20% dos casos, a cardite está associada a Coréia dentro dos quadros de Moléstia Reumática, e a endocardite asséptica é um dos principais achados clínicos.
  3. C) A Coréia de início agudo na infância pode estar associada a doenças sistêmicas/reumatológicas, como o Lupus Eritematoso.
  4. D) O diagnóstico desse paciente é Coréia de Sydenham, causa mais comum de Coréia de início agudo na infância.
  5. E) O tratamento de primeira linha para Coréia aguda independentemente da causa é o Haloperidol.

Contexto Educacional

A coréia é um distúrbio de movimento caracterizado por movimentos involuntários, arrítmicos, rápidos e sem propósito, que podem afetar qualquer parte do corpo. Na infância, a coréia aguda é um sinal neurológico importante que exige investigação detalhada. A causa mais comum de coréia adquirida na infância é a Coréia de Sydenham, uma manifestação neurológica tardia da febre reumática, que pode ser acompanhada de cardite (como a endocardite asséptica mencionada no caso), artrite e nódulos subcutâneos. No entanto, é crucial reconhecer que a coréia aguda na infância não é exclusiva da Coréia de Sydenham. Outras doenças sistêmicas e reumatológicas, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), podem apresentar coréia como uma manifestação neuropsiquiátrica. O LES pode causar uma variedade de sintomas neurológicos, e a coréia lúpica é uma apresentação rara, mas bem documentada, que pode ocorrer mesmo na ausência de outros sintomas sistêmicos evidentes. A presença de endocardite asséptica no caso clínico, embora comum na febre reumática, também pode ser vista em outras condições inflamatórias ou autoimunes. Portanto, a alternativa C, que afirma que a coréia de início agudo na infância pode estar associada a doenças sistêmicas/reumatológicas como o Lúpus Eritematoso, é a correta. O diagnóstico diferencial é fundamental para o manejo adequado, pois o tratamento varia conforme a etiologia. Enquanto a Coréia de Sydenham pode ser tratada com antipsicóticos ou anticonvulsivantes e profilaxia para febre reumática, a coréia lúpica requer terapia imunossupressora.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais da Coréia de Sydenham?

A Coréia de Sydenham manifesta-se com movimentos involuntários, labilidade emocional, fraqueza muscular e reflexo pendular. É um critério maior da febre reumática, e pode estar associada a cardite. Exames podem revelar evidência de infecção estreptocócica prévia.

Como diferenciar a Coréia de Sydenham de outras causas de coréia aguda na infância?

A diferenciação envolve a busca por evidências de febre reumática (critérios de Jones), mas também a investigação de outras causas como LES (com autoanticorpos), doenças metabólicas, intoxicações e outras condições autoimunes.

Qual o tratamento inicial para a coréia aguda, e quais medicamentos são utilizados?

O tratamento visa controlar os movimentos e tratar a causa subjacente. Para a Coréia de Sydenham, pode-se usar valproato, carbamazepina ou haloperidol. Em casos de LES, corticosteroides e imunossupressores são indicados.

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