Corantes em Oftalmologia: Lissamina Verde e Fluoresceína

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação aos corantes utilizados em oftalmologia:

Alternativas

  1. A) A fluoresceína sódica é um corante altamente solúvel em água, corando células epiteliais em sofrimento, ou desvitalizadas
  2. B) A lissamina verde é um corante ácido, orgânico, que não necessita de filtro especial durante a avaliação de olho seco na lâmpada de fenda
  3. C) A rosa-bengala é amplamente utilizada para avaliação da xeroftalmia, por sua boa tolerabilidade e conforto
  4. D) A indocianina verde, além de útil para cirurgia de catarata, está indicada para o estudo de estruturas da retina interna no exame angiográfico

Pérola Clínica

Lissamina verde = Corante ácido para olho seco; não exige filtros especiais.

Resumo-Chave

A lissamina verde cora células epiteliais desvitalizadas e mucina, sendo uma alternativa mais confortável que a rosa-bengala para o diagnóstico de olho seco.

Contexto Educacional

O uso de corantes é essencial para o exame detalhado da superfície ocular e das estruturas vasculares do olho. Na superfície, a fluoresceína sódica é amplamente utilizada para detectar soluções de continuidade no epitélio corneano. Já para a avaliação da conjuntiva e de estados de sofrimento celular (como na síndrome do olho seco), a lissamina verde e a rosa-bengala são preferidas. A lissamina verde é um corante orgânico sintético que cora células que perderam sua integridade de membrana ou que não estão adequadamente protegidas pelo filme lacrimal (mucina). Uma característica prática importante é que ela pode ser visualizada com luz branca comum ou com um filtro vermelho (Wratten 25) para aumentar o contraste, mas não requer os filtros de excitação específicos necessários para a fluoresceína. O conhecimento das propriedades de cada corante permite um diagnóstico mais preciso das patologias da superfície ocular.

Perguntas Frequentes

Qual a vantagem da lissamina verde sobre a rosa-bengala?

A lissamina verde e a rosa-bengala possuem perfis de coloração semelhantes, ambas corando células epiteliais desvitalizadas e áreas com deficiência de mucina. No entanto, a rosa-bengala é conhecida por causar ardência e irritação ocular significativa após a instilação, além de ser intrinsecamente tóxica para as células epiteliais. A lissamina verde é muito melhor tolerada pelos pacientes, proporcionando um conforto superior durante o exame, sem comprometer a eficácia diagnóstica na avaliação do olho seco.

Como funciona a fluoresceína sódica na prática clínica?

A fluoresceína sódica é um corante hidrossolúvel que não cora células íntegras nem células desvitalizadas. Sua utilidade reside em preencher os espaços onde o epitélio está ausente ou onde as junções intercelulares estão rompidas (ceratite ponteada, úlceras). Para sua visualização ideal, utiliza-se a luz azul de cobalto na lâmpada de fenda, que faz o corante emitir uma fluorescência verde-amarelada brilhante. É o padrão-ouro para avaliar a integridade da córnea e o tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT).

Para que serve a indocianina verde na oftalmologia?

A indocianina verde (ICG) é um corante utilizado principalmente em exames de imagem vascular. Diferente da fluoresceína, que é excelente para a vasculatura retiniana, a ICG liga-se fortemente às proteínas plasmáticas e permanece dentro dos vasos, além de emitir fluorescência no espectro infravermelho próximo. Isso permite que ela penetre melhor o epitélio pigmentado da retina e a hemorragia, sendo o padrão-ouro para o estudo da circulação coroidiana e diagnóstico de patologias como a vasculopatia poloidal da coroide.

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