FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022
Um adolescente com 16 anos de idade vem à consulta de rotina para um atestado anual de aptidão para esportes, sem queixas. Refere praticar corrida diariamente pelo menos uma hora ao dia, todos os dias, inclusive aos finais de semana, e já participou de várias maratonas. Ao exame físico, é detectado um sopro sistólico de ejeção (fluxo) na borda esternal esquerda inferior e terceira bulha (B3). O eletrocardiograma solicitado demonstrou uma bradicardia sinusal (55 batimentos/min), um bloqueio atrioventricular (BAV) do primeiro grau e uma hipertrofia ventricular esquerda limítrofe. O ecocardiograma revelou um aumento discreto dos ventrículos direito e da espessura do septo interventricular e da parede posterior livre do ventrículo esquerdo. Diante da principal hipótese diagnóstica, é correto afirmar que
Coração de atleta: bradicardia, BAV 1º grau, hipertrofia VE discreta são adaptações fisiológicas; diferenciação de patologias requer descondicionamento e reavaliação.
O 'coração de atleta' é uma condição fisiológica de adaptação cardíaca ao treinamento físico intenso e crônico, caracterizada por bradicardia sinusal, BAV de 1º grau, sopro sistólico de fluxo, B3 e hipertrofia ventricular esquerda discreta. A diferenciação de cardiomiopatias patológicas, como a hipertrófica, pode exigir um período de descondicionamento físico e reavaliação.
O 'coração de atleta' refere-se às adaptações fisiológicas que ocorrem no sistema cardiovascular em resposta ao treinamento físico intenso e prolongado. Essas adaptações são benéficas e visam otimizar o desempenho cardíaco, permitindo um maior débito cardíaco com menor frequência. É uma condição comum em atletas de endurance e pode mimetizar algumas patologias cardíacas, o que torna seu diagnóstico diferencial crucial. As manifestações clínicas e eletrocardiográficas incluem bradicardia sinusal, bloqueio atrioventricular de primeiro grau, sopros sistólicos de fluxo e terceira bulha (B3) fisiológica. No ecocardiograma, pode-se observar um aumento discreto das dimensões das câmaras cardíacas e uma hipertrofia ventricular esquerda (HVE) concêntrica e simétrica, geralmente com espessura da parede inferior a 13-15 mm. A principal preocupação é diferenciar o coração de atleta de cardiomiopatias patológicas, como a cardiomiopatia hipertrófica, que é uma causa importante de morte súbita em jovens atletas. A regressão das alterações cardíacas após um período de descondicionamento físico (geralmente 2-3 meses) é um forte indicativo de coração de atleta. Se as alterações persistirem ou se houver achados atípicos, uma investigação mais aprofundada é necessária. O manejo do coração de atleta é conservador, sem necessidade de tratamento, apenas acompanhamento.
Achados comuns incluem bradicardia sinusal, bloqueio atrioventricular de primeiro grau, bloqueio de ramo incompleto, repolarização precoce e, ocasionalmente, hipertrofia ventricular esquerda, todos considerados adaptações fisiológicas.
A diferenciação pode ser desafiadora. O coração de atleta geralmente apresenta hipertrofia ventricular esquerda simétrica e discreta, que regride com o descondicionamento físico, ao contrário da cardiomiopatia hipertrófica, que é patológica e não regride.
Não há necessidade de tratamento clínico. Recomenda-se acompanhamento médico e, em casos duvidosos, um período de descondicionamento físico (2-3 meses) seguido de reavaliação para observar a regressão das alterações cardíacas.
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