Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023
Homem de 21 anos é avaliado antes de participar de um evento de esporte universitário. Ele não tem histórico de nenhuma doença. Nega palpitações, dor torácica ou dispneia incomum, e não há história familiar de morte súbita cardíaca ou cardiomiopatia. Ao exame físico: pressão arterial: 110 x 70 mmHg; frequência cardíaca: 52 bpm; IMC: 22 kg/m²; cardiopulmonar: normal. O ECG mostra: bradicardia sinusal; presença de critérios de voltagem para hipertrofia do ventrículo esquerdo (VE); intervalo QT corrigido de 400 ms; repolarização precoce. O ecocardiograma mostra cavidade do VE levemente dilatada, fração de ejeção superior a 55%, sem anormalidade regional; observa-se hipertrofia simétrica de VE, com espessura da parede do VE de 12 mm; demais achados (enchimento diastólico de VE, tamanho do átrio esquerdo e a estrutura e função valvares) são normais. O diagnóstico mais provável é
Coração de atleta: HVE fisiológica (<13mm), bradicardia sinusal, repolarização precoce, sem sintomas/história familiar.
O coração de atleta é uma adaptação fisiológica ao treinamento físico intenso, caracterizada por bradicardia, hipertrofia ventricular esquerda (geralmente <13mm) e alterações de repolarização no ECG. É crucial diferenciá-lo de cardiomiopatias patológicas, especialmente a hipertrófica, pela ausência de sintomas, história familiar e achados ecocardiográficos específicos.
O coração de atleta representa uma série de adaptações fisiológicas do sistema cardiovascular em resposta ao treinamento físico regular e intenso. Essas adaptações, que incluem bradicardia sinusal, hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e alterações no eletrocardiograma (ECG), são benignas e visam otimizar o desempenho cardíaco. É uma condição comum em atletas de alto rendimento, mas exige uma avaliação cuidadosa para ser diferenciada de patologias cardíacas. A fisiopatologia envolve um aumento do volume diastólico final e da massa ventricular, resultando em maior débito cardíaco. No ECG, além da bradicardia e HVE, podem ser observadas repolarização precoce, bloqueios atrioventriculares de primeiro grau e bloqueio de ramo incompleto. O ecocardiograma tipicamente mostra uma cavidade ventricular esquerda levemente dilatada com função sistólica e diastólica preservadas, e uma espessura da parede ventricular esquerda geralmente inferior a 13 mm, embora em atletas de força possa chegar a 15 mm. A ausência de sintomas como dor torácica, dispneia ou palpitações, e uma história familiar negativa para morte súbita ou cardiomiopatias, são cruciais para o diagnóstico. O manejo do coração de atleta é conservador, sem necessidade de tratamento específico, uma vez que é uma condição fisiológica. O principal desafio clínico reside na diferenciação de cardiomiopatias patológicas, como a cardiomiopatia hipertrófica, que podem predispor a eventos cardíacos adversos. Testes adicionais como teste ergométrico, Holter e, em casos duvidosos, ressonância magnética cardíaca, podem ser úteis. A desadaptação ao exercício (detraining) pode ser considerada para confirmar a regressão das alterações cardíacas em casos de incerteza diagnóstica.
O ECG de um atleta pode apresentar bradicardia sinusal, critérios de voltagem para hipertrofia ventricular esquerda, repolarização precoce e, ocasionalmente, bloqueios atrioventriculares de primeiro grau ou bloqueio de ramo incompleto.
A diferenciação envolve a ausência de sintomas, história familiar negativa, espessura da parede ventricular esquerda geralmente <13mm (raramente >15mm) e função diastólica normal no coração de atleta, ao contrário da cardiomiopatia hipertrófica.
A triagem pré-participação esportiva é fundamental para identificar condições cardíacas subjacentes que podem aumentar o risco de morte súbita, como a cardiomiopatia hipertrófica, e para orientar a liberação ou restrição para atividades físicas.
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