Coqueluche: Vacinação, Imunidade e Prevenção Essencial

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

A Coqueluche é uma doença com elevada morbidade, especialmente nos primeiros meses de vida. O gráfico abaixo apresenta a situação epidemiológica e a relação da incidência da doença com a cobertura vacinal. O estado de São Paulo registrou 139 casos de coqueluche até a 23ª semana epidemiológica deste ano de 2024, encerrada em 8 de junho, representando alta de 768,7% na comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram confirmados 16 registros. É correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A vacina da coqueluche está indicada, segundo o Programa Nacional de Imunização (PNI) aos 2, 4 e 6 meses de vida, com reforço após o primeiro ano (próximo dos 15 meses) e, a seguir, a cada 10 anos.
  2. B) A administração da vacina contra a coqueluche está indicada na gestante para que a mãe não seja vetor da doença ao recém-nascido, mas não confere proteção a ele através da passagem transplacentária de anticorpos.
  3. C) A vacina tríplice bacteriana contém componentes da cápsula da bactéria da coqueluche, sendo indicada a crianças com menos de 7 anos de idade, mesmo para as que já tiveram coqueluche, uma vez que esta doença não confere proteção permanente frente a novas infecções.
  4. D) O tratamento com cefalosporina de primeira geração na fase paroxística da doença abrevia o período de transmissibilidade, mas não demonstra efetividade em modificar o curso da doença.
  5. E) Pessoas não imunizadas contra a coqueluche devem ser monitoradas durante 21 dias após o último contato próximo e duradouro com pessoa infectada, para aparecimento de sinais clínicos de coqueluche, enquanto para os vacinados este período encurta-se para 10 dias.

Pérola Clínica

Vacina tríplice bacteriana (DTP/dTpa) confere proteção contra coqueluche, mesmo após infecção prévia, pois a imunidade natural não é permanente.

Resumo-Chave

A imunidade conferida pela infecção natural por Bordetella pertussis não é duradoura, o que justifica a vacinação mesmo em indivíduos que já tiveram a doença. A vacina tríplice bacteriana (DTP ou dTpa) é crucial para a prevenção, especialmente em crianças e para a estratégia de cocooning.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, é uma infecção respiratória altamente contagiosa, com maior morbidade e mortalidade em lactentes jovens. Caracteriza-se por tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, sendo um desafio diagnóstico e de saúde pública, como evidenciado pelo aumento de casos em São Paulo. A vacinação é a principal ferramenta de controle. A imunidade conferida pela infecção natural não é permanente, o que torna a vacinação essencial mesmo para quem já teve a doença. O Programa Nacional de Imunização (PNI) preconiza a vacina DTP para crianças e a dTpa para gestantes, visando a proteção do recém-nascido através da passagem transplacentária de anticorpos (estratégia de cocooning). A vacina tríplice bacteriana contém componentes da bactéria, sendo eficaz na prevenção. O tratamento com macrolídeos é indicado para reduzir a transmissibilidade, especialmente se iniciado na fase catarral. Na fase paroxística, embora reduza a disseminação, sua efetividade em modificar o curso clínico é limitada. A profilaxia pós-exposição é crucial para contatos próximos não imunizados, que devem ser monitorados por 21 dias.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema vacinal da coqueluche no PNI?

O PNI indica a vacina DTP aos 2, 4 e 6 meses, com reforços aos 15 meses (DTP) e aos 4 anos (DTP). Para gestantes, a dTpa é recomendada a partir da 20ª semana de gestação para proteger o recém-nascido.

Por que a vacina contra coqueluche é indicada para gestantes?

A vacina dTpa na gestação tem como objetivo principal a passagem transplacentária de anticorpos para o feto, protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida, período de maior risco para formas graves da doença (estratégia de cocooning).

O tratamento da coqueluche com antibióticos altera o curso da doença?

O tratamento com macrolídeos (azitromicina, claritromicina) na fase catarral pode encurtar a duração e gravidade da doença. Na fase paroxística, o tratamento reduz a transmissibilidade, mas geralmente não altera o curso clínico da doença.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo