Coqueluche: Profilaxia em Contactantes e Gestantes

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

João Pedro, 65 anos, veio à consulta na UBS, aocmpanhado de sua filha gestante que mora com ele. Ela informou ao médico que o pai, já há 10 dias, queixa-se de estar com simples resfriado, de estar tossindo muito ao adormecer, uma tosse seca, intensa com ruído inspiratório na forma de guincho, sentindo dores intensas pelo corpo e vômito. Entretanto, não teve diarreia, dispneia nem febre, sem história prévia semelhante. Foi diagnosticado com coqueluche. Seguindo orientação do Ministério da Saúde, qual a conduta de profilaxia para a filha contactante?

Alternativas

  1. A) Quimioprofilaxia com azitromicina 500mg por dia por cinco dias.
  2. B) Realizar campanhas vacinas como única ação preventiva à emergência de coqueluche no País.
  3. C) Quimioprofilaxia com ampicilina sódica a 1000mg por 10 dias.
  4. D) Reforço em gestantes a partir de 20 semanas.

Pérola Clínica

Coqueluche em contactante gestante → Quimioprofilaxia com Azitromicina.

Resumo-Chave

A quimioprofilaxia para contactantes de coqueluche, especialmente gestantes e lactentes, é crucial para prevenir a doença e suas complicações. A azitromicina é o macrolídeo de escolha, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, caracterizada por tosse paroxística intensa, muitas vezes seguida de guincho inspiratório e vômitos pós-tosse. Embora possa afetar qualquer idade, é particularmente grave em lactentes menores de 6 meses, que apresentam maior risco de complicações como pneumonia, encefalopatia e morte. A epidemiologia da coqueluche tem mostrado um ressurgimento em algumas regiões, mesmo com altas coberturas vacinais, devido à diminuição da imunidade ao longo do tempo e à circulação da bactéria. O diagnóstico da coqueluche é predominantemente clínico, especialmente na fase paroxística. Em adultos e adolescentes, a apresentação pode ser atípica, manifestando-se como uma tosse prolongada. A confirmação laboratorial pode ser feita por PCR de secreção nasofaríngea. A suspeita deve ser alta em casos de tosse persistente por mais de duas semanas, especialmente se associada a paroxismos, guincho ou vômitos pós-tosse. A profilaxia é fundamental para controlar a disseminação da coqueluche. Para contactantes próximos de casos confirmados, a quimioprofilaxia com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) é recomendada, especialmente para gestantes, lactentes e indivíduos imunocomprometidos, independentemente do status vacinal. A vacinação com a dTpa em gestantes é uma estratégia crucial para proteger o recém-nascido, conferindo imunidade passiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar quimioprofilaxia em contactantes de coqueluche?

A quimioprofilaxia é indicada para contactantes próximos de casos confirmados de coqueluche, especialmente aqueles com alto risco de doença grave ou de transmissão para indivíduos vulneráveis, como lactentes não vacinados, gestantes e profissionais de saúde.

Qual o medicamento de escolha para a quimioprofilaxia da coqueluche e sua posologia?

A azitromicina é o macrolídeo de escolha para a quimioprofilaxia da coqueluche. Para adultos, a dose usual é de 500 mg no primeiro dia, seguida de 250 mg/dia por mais 4 dias, totalizando 5 dias de tratamento.

Por que a vacinação dTpa é importante para gestantes na prevenção da coqueluche?

A vacinação dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) em gestantes, idealmente entre 20 e 36 semanas, induz a produção de anticorpos maternos que são transferidos passivamente para o feto, protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida, período de maior risco para coqueluche grave.

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