Coqueluche em Crianças: Diagnóstico e Sinais Clínicos Chave

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 9 meses de idade, apresenta tosse em acessos seguidos por vômitos há 10 dias. O quadro iniciou-se com coriza e 1 pico febril. O irmão de 10 anos de idade teve quadro respiratório há 3 semanas e, a seguir, todos da casa também tiveram sintomas. Os episódios de tosse têm sido intensos, às vezes com perda de fôlego. Ao exame, tem petéquias em torno dos olhos e face anterior do tórax, FR = 24 mrm, FC = 110 bpm, Sat O₂ 96%. Ao examinar o cavo, apresentou ânsias e tosse, com tossidas rápidas e curtas, em uma só inspiração, seguida de inspiração profunda. O diagnóstico adequado ao quadro clínico apresentado é

Alternativas

  1. A) rinossinusite pós-viral.
  2. B) bronquiolite viral aguda.
  3. C) traqueobronquite bacteriana.
  4. D) bronquite espastica pós-viral.
  5. E) coqueluche.

Pérola Clínica

Coqueluche = tosse paroxística com guincho inspiratório, vômitos pós-tosse e petéquias, especialmente em crianças não vacinadas ou parcialmente vacinadas.

Resumo-Chave

A coqueluche (pertussis) é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela Bordetella pertussis, caracterizada por uma fase catarral inespecífica seguida por uma fase paroxística com acessos de tosse intensos, seguidos por um "guincho" inspiratório e frequentemente vômitos pós-tosse. Petéquias faciais ou torácicas são comuns devido ao esforço da tosse. A história de contato e a apresentação clínica são cruciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A coqueluche, ou pertussis, é uma doença respiratória aguda altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis, que permanece como um desafio de saúde pública global, mesmo com altas taxas de vacinação. É particularmente perigosa para lactentes jovens, nos quais pode causar apneia, convulsões, encefalopatia e morte. O reconhecimento precoce é crucial, pois o tratamento é mais eficaz quando iniciado nas fases iniciais da doença. O quadro clínico da coqueluche evolui em fases. A fase catarral, inicial e inespecífica, assemelha-se a um resfriado comum. Segue-se a fase paroxística, caracterizada por acessos de tosse violentos e repetitivos, que podem levar a cianose, vômitos pós-tosse e o clássico 'guincho' inspiratório. O esforço da tosse pode causar petéquias faciais ou subconjuntivais. A história epidemiológica, com contato com casos suspeitos ou surtos familiares, é um dado importante. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por cultura de nasofaringe ou PCR. O tratamento da coqueluche envolve antibióticos macrolídeos, que são mais eficazes na fase catarral para reduzir a gravidade e a transmissibilidade. Na fase paroxística, o tratamento visa principalmente reduzir a transmissibilidade, pois a toxina pertussis já causou a maior parte do dano. A prevenção é feita pela vacinação (DTPa para crianças e dTpa para gestantes e adolescentes/adultos), que é a medida mais eficaz para controlar a doença e proteger os grupos de maior risco.

Perguntas Frequentes

Quais são as fases clínicas da coqueluche?

A coqueluche classicamente apresenta três fases: catarral (1-2 semanas de sintomas inespecíficos como coriza e tosse leve), paroxística (2-6 semanas de acessos de tosse intensos, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse) e convalescença (recuperação gradual, com tosse diminuindo em frequência e intensidade).

Qual o tratamento de escolha para coqueluche em crianças?

O tratamento de escolha para coqueluche é a antibioticoterapia com macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou eritromicina. O tratamento precoce na fase catarral pode reduzir a gravidade e a duração da doença, além de diminuir a transmissibilidade.

Como a vacinação previne a coqueluche e qual sua importância?

A vacina DTP (difteria, tétano e pertussis) é fundamental na prevenção da coqueluche. A vacinação infantil protege a criança, e a vacinação de gestantes (dTpa) confere proteção passiva ao recém-nascido nos primeiros meses de vida, período de maior risco para formas graves da doença.

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