HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Lactente do sexo feminino, 3 meses de idade, é trazida ao pronto-socorro com queixa de tosse há 10 dias, que piorou nos últimos 3 dias. A mãe relata múltiplos episódios de tosse paroxística, seguidos de esforço respiratório intenso e cianose facial, com duração de 30 a 60 segundos. Não houve febre, mas a criança evoluiu com dificuldade alimentar e engasgos devido aos episódios frequentes de tosse. Antecedentes perinatais sem intercorrências, sendo a gestação a termo com parto vaginal. Ao exame físico, a paciente está ativa, porém apresenta taquipneia (FR: 60 irpm), cianose perioral intermitente e dessaturação durante um episódio de tosse observado (SpO₂: 88%). Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular preservado, sem sibilos ou estertores. Exame cardiovascular sem alterações. Exames laboratoriais revelam hemoglobina de 10,2 g/dL, hematócrito de 32%, leucocitose com 18.500/mm³ (80% linfócitos). Assinale a alternativa correta sobre a doença mais provável dessa criança:
Lactente + tosse paroxística + linfocitose sem febre → Coqueluche (Bordetella pertussis).
A coqueluche em lactentes jovens é grave e cursa com linfocitose absoluta; o diagnóstico é confirmado por PCR e a conduta inclui o tratamento do caso e profilaxia de contatos.
A coqueluche, causada pela bactéria Gram-negativa Bordetella pertussis, permanece uma causa importante de morbimortalidade em lactentes jovens que ainda não completaram o esquema vacinal primário. A doença evolui em três fases: catarral, paroxística e de convalescença. Em lactentes pequenos, a fase paroxística pode ser marcada por apneia e cianose, muitas vezes sem o clássico 'guincho' inspiratório, tornando o quadro clínico potencialmente fatal. O achado de linfocitose absoluta é mediado pela toxina pertussis, que impede a migração dos linfócitos do sangue para os tecidos linfoides. O tratamento de escolha são os macrolídeos, que embora tenham impacto limitado na duração dos sintomas se iniciados tardiamente, são essenciais para reduzir a transmissibilidade. A vigilância epidemiológica e o bloqueio de contatos são medidas de saúde pública obrigatórias diante de casos suspeitos.
O diagnóstico padrão-ouro envolve a cultura de secreção de nasofaringe (meio Bordet-Gengou ou Regan-Lowe) ou, mais comumente na prática atual, a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), que possui alta sensibilidade e rapidez. Laboratorialmente, a presença de leucocitose importante com linfocitose absoluta em um lactente com tosse paroxística é um achado clássico que reforça a suspeita clínica.
A quimioprofilaxia com macrolídeos (geralmente azitromicina) é indicada para todos os contatos domiciliares, independentemente do estado vacinal, e para contatos extra-domiciliares de alto risco (ex: gestantes, lactentes menores de 1 ano, imunocomprometidos). O objetivo é interromper a cadeia de transmissão da Bordetella pertussis.
A vacinação da gestante com a vacina dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) a partir da 20ª semana de gestação é a principal estratégia para proteger o recém-nascido. Ela promove a transferência transplacentária de anticorpos IgG, conferindo imunidade passiva ao bebê até que ele complete o esquema vacinal primário com a vacina pentavalente.
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