Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Prevenção com DTP

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Lactente, 7 meses, é trazido à consulta em Unidade Básica de Saúde pela mãe. Queixade obstrução nasal e coriza iniciada há 14 dias. Nas últimas 36 horas, iniciou com febre de até 38ºC, além de crises de tosse seguidas por vômitos e cianose perioral. Relato de que irmão adolescente apresentara quadro respiratório antes do início dos sintomas do bebê. De história pregressa, mãe não realizou o pré-natal. O parto foi prematuro com 36 semanas. Vacinas atrasadas (recebeu somente a primeira dose da hepatite B). Durante a consulta, apresenta crise de tosse paroxística, acompanhada de pletora, vômitos e sudorese. Ao exame físico, regular estado geral, hidratado, hipocorado. Peso, estatura e perímetro cefálico: escore Z entre (-2) e (0). É choroso e tem temperatura axilar de 37,6ºC. Ausculta pulmonar com raros crepitantes. Hemodinamicamente bem. Hemograma com leucócitos totais de 35.000/mm³ com predomínio de linfócitos (72%). Radiografia de tórax com discreta hiperinsuflação e infiltrado perihilar bilateral. Considerando a hipótese diagnóstica, qual, dentre as indicadas, é a vacina responsável pela prevenção de tal quadro?

Alternativas

  1. A) BCG
  2. B) DTP
  3. C) Pneumo 10
  4. D) Hemófilo tipo B

Pérola Clínica

Lactente com tosse paroxística + vômitos + cianose + leucocitose linfocitária → Coqueluche. Prevenção = Vacina DTP.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse paroxística seguida de vômitos e cianose perioral, em um lactente não vacinado e com contato prévio com quadro respiratório, é altamente sugestivo de coqueluche. A leucocitose com linfocitose é um achado laboratorial clássico. A vacina DTP é a responsável pela prevenção.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria *Bordetella pertussis*, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente grave, especialmente em lactentes jovens e não vacinados. Caracteriza-se por três fases: catarral (sintomas inespecíficos de resfriado), paroxística (crises de tosse intensas, seguidas de guincho inspiratório, vômitos e cianose) e convalescença. A apresentação em lactentes pode ser atípica, com apneia sendo a manifestação predominante em vez do guincho. A epidemiologia da coqueluche mostra que a maioria dos casos graves e óbitos ocorre em lactentes menores de 6 meses, que ainda não completaram o esquema vacinal ou não receberam proteção materna adequada. O diagnóstico é clínico, epidemiológico e laboratorial (PCR de secreção nasofaríngea e cultura). O hemograma pode revelar leucocitose com linfocitose, um achado distintivo. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação e infiltrados perihilares. A prevenção é feita primariamente pela vacinação com a vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche acelular), que faz parte do calendário vacinal infantil. A vacinação de gestantes (dTpa) é uma estratégia importante para conferir imunidade passiva aos recém-nascidos. O tratamento envolve macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) para reduzir a transmissibilidade e a gravidade da doença se iniciados precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da coqueluche em lactentes?

A coqueluche em lactentes é caracterizada por tosse paroxística intensa, seguida por guincho inspiratório (nem sempre presente em bebês), vômitos pós-tosse, cianose perioral e, em casos graves, apneia.

Por que a vacina DTP é crucial para prevenir a coqueluche?

A vacina DTP (difteria, tétano e pertussis acelular) confere imunidade contra a Bordetella pertussis, bactéria causadora da coqueluche, reduzindo significativamente a incidência e a gravidade da doença, especialmente em lactentes.

Qual o achado laboratorial típico da coqueluche?

O hemograma na coqueluche frequentemente revela leucocitose acentuada com predomínio de linfócitos, um achado que, combinado com o quadro clínico, reforça a suspeita diagnóstica.

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