Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico, Tratamento e Vacinação

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Menina, 1 mês, nascida a termo sem intercorrências, inicia quadro de tosse repetida e persistente com ruído metálico, predominantemente expiratório e episódios de cianose. Mãe não fez pré-natal, mas realizou sorologias para investigação de hepatite B e C, vírus da imunodeficiência humana (HIV) e VDRL (venereal disease research laboratory), com todos os exames negativos no momento do parto. Refere que o quadro de tosse foi precedido por 10 dias de secreção em via respiratória e que possui outra criança, de 5 anos, em casa com sintomas catarrais há 3 semanas.Analise as afirmativas a seguir, considerando-se a principal hipótese diagnóstica:I) Espera-se observar a presença de leucocitose e neutrofilia ao hemograma.II) O início de macrolídeos ou sulfametoxazol-trimetoprim nesta fase dessa doença reduz o contágio, mas não interfere no seu curso.III) O esquema de vacinação pentavalente aos 2, 4 e 6 meses + dois reforços (entre 15- 18 meses e entre 4-6 anos) garante 70% a 90% de eficácia na prevenção desta doença.Pode-se afirmar que está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

Alternativas

  1. A) I
  2. B) II e III
  3. C) II
  4. D) I e III

Pérola Clínica

Coqueluche em lactente: tosse metálica, cianose. Hemograma → leucocitose com LINFOCITOSE. Macrolídeos ↓ contágio, não curso. Vacina pentavalente eficaz.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes é grave, caracterizada por tosse paroxística e cianose. O hemograma tipicamente mostra leucocitose com linfocitose. O tratamento com macrolídeos reduz a transmissibilidade, mas não altera o curso da doença se iniciado tardiamente. A vacinação pentavalente é crucial para a prevenção.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente fatal em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida. O quadro clínico em bebês pode ser atípico e grave, caracterizado por tosse paroxística, guincho inspiratório (que pode estar ausente), cianose e episódios de apneia. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, sendo comum o contágio a partir de adultos ou crianças mais velhas com sintomas leves. O diagnóstico da coqueluche é clínico e laboratorial. No hemograma, classicamente, observa-se leucocitose com linfocitose absoluta, um achado distintivo que ajuda a diferenciá-la de outras infecções respiratórias. A cultura de nasofaringe e o PCR são os métodos diagnósticos confirmatórios. O tratamento com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) é indicado para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, mas se iniciado após a fase catarral (primeiras 1-2 semanas), geralmente não modifica o curso da doença já estabelecida, que é mediada por toxinas. A prevenção é a medida mais eficaz contra a coqueluche, sendo a vacinação o pilar principal. O esquema vacinal pentavalente (DTP/Hib/HepB) é administrado aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforços posteriores. Essa vacina oferece uma proteção significativa, variando entre 70% a 90% de eficácia, e é fundamental para proteger os lactentes, que são os mais vulneráveis às formas graves da doença. A vacinação de gestantes (dTpa) também é crucial para conferir proteção passiva aos recém-nascidos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para coqueluche em lactentes?

Em lactentes, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística, guincho inspiratório (nem sempre presente em bebês), cianose, apneia e dificuldade respiratória, sendo um quadro grave.

Qual o papel dos macrolídeos no tratamento da coqueluche?

Macrolídeos (azitromicina, claritromicina, eritromicina) são eficazes para erradicar a bactéria Bordetella pertussis, reduzindo o período de contágio. No entanto, se iniciados após a fase catarral, geralmente não alteram o curso clínico da doença já estabelecida.

Como a vacinação pentavalente previne a coqueluche?

A vacina pentavalente, administrada aos 2, 4 e 6 meses, protege contra a coqueluche (componente pertussis acelular), difteria, tétano, Haemophilus influenzae tipo b e hepatite B. Ela confere alta eficácia na prevenção da doença e suas formas graves.

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