Coqueluche e Chlamydia em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2017

Enunciado

Lactente, 1 mês, é trazido à emergência com quadro gripal iniciado há mais de dez dias com tosse persistente que evoluiu para paroxística, cansaço e gemência, além do relato de secreção ocular que se iniciou no final da primeira semana de vida. A mãe não fez pré-natal, tendo apresentado leucorreia, durante a gravidez. Exame físico: sem febre; FC: 130bpm, FR: 60 irpm, tiragem subcostal e estertores subcrepitantes esparsos. Rx de tórax: hiperexpansibilidade pulmonar com infiltrado intersticial difuso. O tratamento indicado é prescrever:

Alternativas

  1. A) Penicilina cristalina IV ;
  2. B) Vancomicina IV ;
  3. C) Claritromicina IV;
  4. D) Gentamicina IV ;
  5. E) Oxacilina IV;

Pérola Clínica

Lactente < 3m com tosse paroxística + conjuntivite + infiltrado intersticial = Coqueluche/Chlamydia. Tto: Macrolídeo (Claritromicina/Azitromicina).

Resumo-Chave

O quadro clínico do lactente (tosse paroxística, gemência, cansaço, secreção ocular neonatal, hiperexpansibilidade e infiltrado intersticial no RX) é altamente sugestivo de infecção por Chlamydia trachomatis ou Bordetella pertussis, ambas tratáveis com macrolídeos. A claritromicina (ou azitromicina/eritromicina) é o tratamento de escolha para essas etiologias em lactentes.

Contexto Educacional

O quadro clínico apresentado pelo lactente de 1 mês é altamente sugestivo de uma síndrome coqueluchoide, que pode ser causada por Bordetella pertussis (agente da coqueluche) ou por Chlamydia trachomatis. Em lactentes jovens, a coqueluche pode não apresentar o clássico 'guincho' inspiratório, manifestando-se com paroxismos de tosse, apneia, cianose e gemência. A história de secreção ocular desde a primeira semana de vida, associada à leucorreia materna na gravidez, levanta forte suspeita para infecção por Chlamydia trachomatis, que pode causar conjuntivite neonatal e pneumonia atípica no lactente, com quadro de tosse persistente, taquipneia e infiltrado intersticial difuso no raio-X de tórax. A pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes tipicamente se apresenta entre 2 e 12 semanas de vida, com tosse seca e persistente, taquipneia, sem febre ou com febre baixa, e pode ser acompanhada de conjuntivite. O raio-X de tórax frequentemente mostra hiperexpansibilidade e infiltrados intersticiais difusos. A coqueluche, por sua vez, é uma doença respiratória altamente contagiosa, grave em lactentes não imunizados, que pode levar a complicações sérias como pneumonia, apneia e encefalopatia. O tratamento para ambas as condições (coqueluche e pneumonia por Chlamydia trachomatis) em lactentes é feito com macrolídeos. A claritromicina, azitromicina ou eritromicina são as opções de escolha. A claritromicina IV é uma opção válida para o tratamento hospitalar. É crucial iniciar o tratamento empírico com macrolídeos diante da suspeita, pois a demora pode agravar o prognóstico, especialmente na coqueluche. Penicilinas, vancomicina, gentamicina e oxacilina não são eficazes contra esses agentes atípicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para coqueluche em lactentes jovens?

Em lactentes, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística, apneia, cianose, gemência, cansaço e, por vezes, sem o clássico 'guincho'. A ausência de febre é comum, e a história de contato ou mãe sem pré-natal é relevante.

Por que macrolídeos são a primeira escolha para o tratamento da coqueluche em lactentes?

Macrolídeos (azitromicina, claritromicina, eritromicina) são a primeira escolha porque são eficazes contra a Bordetella pertussis e também cobrem Chlamydia trachomatis, outra causa comum de pneumonia e conjuntivite em lactentes jovens, que se encaixa no quadro clínico.

Como a história de leucorreia materna e secreção ocular neonatal se relaciona com o quadro respiratório?

A leucorreia materna pode indicar infecção por Chlamydia trachomatis, que pode ser transmitida verticalmente. A Chlamydia causa conjuntivite neonatal e pode evoluir para pneumonia atípica em lactentes, com quadro de tosse persistente e infiltrado intersticial.

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