UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2016
Lactente, dois meses, apresenta tosse seca há um mês. No início do quadro, apresentou febre até 38,5ºC. Ficou internado com diagnóstico de infecção respiratória por 15 dias, tendo recebido, durante cinco dias, antibiótico endovenoso. Mãe relata que não houve melhora do quadro e as crises de tosse vêm se intensificando nas últimas duas semanas, acompanhadas de cianose. No dia anterior à consulta, teve febre de 38,8ºC. Ao exame físico, observa-se lactente em bom estado geral, com FR = 48 irpm, tiragem intercostal discreta, petéquias em face, saturação em ar ambiente de 95%. Durante o exame, apresenta crise de tosse, protusão de língua, cianose, insaturação de até 85%. A hipótese mais provável para o caso, os exames complementares e os achados de história clínica são:
Lactente com tosse paroxística, cianose e petéquias → Coqueluche. Hemograma: leucocitose + linfocitose.
A coqueluche em lactentes jovens pode apresentar-se com tosse paroxística intensa, cianose e petéquias faciais devido ao esforço da tosse, e é caracteristicamente associada a leucocitose acentuada com linfocitose no hemograma, mesmo na ausência do "guincho" clássico.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa que pode ser particularmente grave em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida. A apresentação clínica em bebês pode ser atípica, sem o clássico "guincho" inspiratório, mas com tosse paroxística intensa, cianose e até apneia, o que a torna um desafio diagnóstico. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de tosse prolongada e paroxística, muitas vezes acompanhada de cianose e petéquias devido ao esforço. O hemograma é um exame complementar valioso, frequentemente revelando leucocitose acentuada com linfocitose, um achado característico que deve levantar a suspeita. A confirmação pode ser feita por cultura de secreção nasofaríngea ou PCR. Para residentes, é crucial reconhecer a coqueluche precocemente em lactentes para iniciar o tratamento adequado e prevenir complicações graves. A vacinação (DTPa para gestantes e DTP para crianças) é a principal medida preventiva. O manejo inclui suporte respiratório e antibióticos (macrolídeos) para reduzir a transmissibilidade e a gravidade da doença.
Em lactentes, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística intensa, cianose, petéquias faciais e, em casos graves, apneia. O "guincho" inspiratório pode estar ausente em bebês muito jovens.
O hemograma de pacientes com coqueluche frequentemente revela leucocitose acentuada com linfocitose, que é um marcador importante para a suspeita diagnóstica, especialmente em lactentes.
Lactentes jovens, especialmente aqueles com menos de 6 meses, têm um sistema imunológico imaturo e vias aéreas menores, tornando-os mais suscetíveis a complicações graves como apneia, pneumonia e encefalopatia, além de não terem completado o esquema vacinal.
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