UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Paciente, 21 dias de vida, sexo feminino. Há 8 dias iniciou tosse seca, com piora progressiva. Há 2 dias com acessos de tosse intensa associados a perda de fôlego e crises de cianose. Dificuldade para mamar e dormir devido à tosse. Mãe com tosse há 2 semanas. Parto normal, sem intercorrências, peso 2620 g.Ao exame físico: Regular estado geral, taquidispneica, descorada, anictérica e afebril. Durante o exame apresentou crise de tosse, apneia e cianose perilabial. Frequência respiratória 73 incursões por minuto; frequência cardíaca 145 batimentos por minuto, saturação de oxigênio 90% (oxímetro de pulso) em ar ambiente. Tiragem sub-diafragmática e intercostal moderada, murmúrio vesicular presente, sem ruídos adventícios, ausculta cardíaca normal. Fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito e ponta de baço palpável.Hemograma: Hemoglobina:10,2 g/dL, Hematócrito: 31%, Leucócitos: 68.700 /mm³ (bastões 7%, segmentados 23%, eosinófilos 1%, basófilos 0%, linfócitos 60%, monócitos 9%), Plaquetas: 436.000 /mm³.Qual o diagnóstico mais provável?Qual o tratamento?
Lactente <3 meses com tosse paroxística, apneia e leucocitose com linfocitose → Coqueluche até prova em contrário.
A coqueluche em lactentes jovens, especialmente menores de 3 meses, pode se apresentar atipicamente com apneia e cianose, sem o clássico guincho. A leucocitose com linfocitose é um achado laboratorial importante que, junto à clínica, deve levantar a suspeita diagnóstica. O tratamento precoce com macrolídeos é crucial para reduzir a gravidade e a transmissão.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente fatal em lactentes jovens, especialmente aqueles não vacinados ou com vacinação incompleta. A epidemiologia mostra que a doença ainda é um problema de saúde pública, com surtos ocorrendo mesmo em populações com altas taxas de vacinação, devido à diminuição da imunidade ao longo do tempo e à proteção limitada em neonatos. A importância clínica reside na alta morbimortalidade em lactentes, que podem apresentar quadros graves de apneia, cianose e encefalopatia. A fisiopatologia envolve a adesão da bactéria ao epitélio respiratório e a produção de toxinas que causam inflamação e necrose. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na tosse paroxística, guincho (ausente em lactentes) e vômitos pós-tosse, mas pode ser confirmado por PCR de secreção nasofaríngea. A suspeita deve ser alta em lactentes com tosse prolongada, apneia ou cianose, especialmente se houver contato com adultos com tosse crônica. O hemograma com leucocitose e linfocitose é um forte indicativo. O tratamento é de suporte, com monitorização respiratória e hidratação, e antibiótico terapia com macrolídeos (azitromicina, eritromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissão. A profilaxia pós-exposição também é recomendada para contatos próximos. O prognóstico em lactentes é reservado, com risco de complicações como pneumonia, convulsões e óbito. A vacinação materna (dTpa) e infantil é a principal medida preventiva.
Em lactentes, especialmente menores de 3 meses, os sinais de alerta para coqueluche incluem tosse paroxística intensa, episódios de apneia, cianose perilabial e dificuldade para mamar/dormir. O guincho clássico pode estar ausente.
O tratamento para coqueluche em neonatos e lactentes é feito com antibióticos macrolídeos, como azitromicina, eritromicina ou claritromicina. O tratamento precoce é fundamental para reduzir a gravidade da doença e a transmissibilidade.
A leucocitose acentuada com linfocitose é um achado laboratorial característico da coqueluche, especialmente em lactentes, e pode ajudar a diferenciar a doença de outras causas de tosse e desconforto respiratório. É um marcador de infecção por Bordetella pertussis.
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