Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Achados Chave

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2017

Enunciado

Lactente de dois meses, iniciou há três dias quadro de febre baixa, coriza discreta, tosse seguida de vômitos e episódios de apneia. Os achados clínicos e as alterações do hemograma, nos quais o pediatra se baseou para considerar a coqueluche como diagnóstico mais provável, respectivamente, foram:

Alternativas

  1. A) Ausência de esforço respiratório, ausculta pulmonar normal, frequência respiratória de 50 ipm e Sat O2 95% em ar ambiente / hemograma com leucocitose e linfocitose. 
  2. B) Esforço respiratório leve, ausculta pulmonar com sibilos bilaterais, frequência respiratória de 70 ipm e Sat O2 95% em ar ambiente / hemograma com leucocitose e eosinofilia. 
  3. C) Esforço respiratório moderado, ausculta pulmonar com crepitação difusa, frequência respiratória de 60 ipm e Sat O2 92% em ar ambiente / hemograma com leucopenia e neutrofilia.
  4. D) Esforço respiratório grave, ausculta pulmonar com redução do murmúrio vesicular bilateralmente, frequência respiratória de 65 ipm e Sat O2 93% em ar ambiente / hemograma com leucopenia e neutropenia.

Pérola Clínica

Coqueluche em lactentes: tosse paroxística + vômitos + apneia + leucocitose com linfocitose.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes jovens pode se manifestar atipicamente com apneia e cianose, sem a tosse paroxística clássica. O hemograma é um achado chave, mostrando leucocitose com linfocitose absoluta, mesmo na ausência de outros sinais de infecção bacteriana grave.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa que pode ser grave em lactentes, especialmente nos primeiros seis meses de vida. A vacinação materna e infantil é a principal medida preventiva. A doença evolui em fases: catarral (sintomas inespecíficos), paroxística (tosse intensa, vômitos, apneia) e convalescença. A suspeita clínica é fundamental, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reduzir a morbimortalidade. O diagnóstico da coqueluche é primariamente clínico, baseado na história de tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, mas em lactentes, a apneia pode ser o sintoma predominante. Achados laboratoriais como leucocitose com linfocitose absoluta no hemograma são altamente sugestivos. A confirmação pode ser feita por cultura de secreção nasofaríngea ou PCR. É crucial diferenciar de outras causas de tosse e apneia em bebês. O tratamento da coqueluche envolve antibióticos (macrolídeos como azitromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, sendo mais eficaz se iniciado na fase catarral. O suporte respiratório é vital para lactentes com apneia ou hipóxia. O prognóstico depende da idade do paciente e da gravidade das complicações, como pneumonia e encefalopatia. A profilaxia de contatos próximos também é recomendada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para coqueluche em lactentes jovens?

Em lactentes jovens, a coqueluche pode se manifestar com apneia, cianose e tosse paroxística seguida de vômitos, muitas vezes sem febre alta. A ausculta pulmonar pode ser normal, e o esforço respiratório pode estar ausente ou ser discreto.

Como o hemograma auxilia no diagnóstico de coqueluche?

O hemograma na coqueluche tipicamente revela leucocitose com linfocitose absoluta, que é um achado característico e importante para a suspeita diagnóstica, especialmente em quadros atípicos ou em fases iniciais da doença.

Qual a importância da apneia como sintoma de coqueluche em bebês?

A apneia é uma manifestação grave e potencialmente fatal da coqueluche em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida. Ela pode ocorrer sem tosse significativa e exige alta suspeição e intervenção imediata.

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